domingo, 6 de janeiro de 2008

Um tiro no pé

A Mestranda Maria Regina Rocha - professora, ela própria - acaba de prestar um grande serviço à classe dos professores portugueses.
Descobre na sua tese de mestrado aquilo que há quase uma década toda a gente sabia: os manuais são maus, não prestam, mas o ME (Ministério da Educação) manda que se escolha um manual e as escolas cumprem, os pais pagam e toda a lógica parte daqui.
Que professor se poderá pôr à margem deste esquema sem incorrer num risco de vir a ter um processo disciplinar por via de utilizar outros materiais que não o manual adoptado? Sabendo da penúria que reina nas nossas escolas públicas (fotocópias, carência de recursos físicos e técnicos...), um professor não poderá fazer mais que encolher os ombros e seguir com o manual adoptado.
O problema que, provavelmente, a Mestranda Maria Regina Rocha (ela própria professora, insisto...) , terá esquecido é que existe algo chamado prática pedagógica: perante a penúria de um manual que o professor é obrigado a aceitar, o professor pode tentar enriquecer os conteúdos que o manual não contempla: acrescentando novos textos, novas perguntas, outros meios.
Para a opinião pública (que, pessoalmente, não existe neste país) ficará a ideia de que os professores que temos não sabem escolher um manual e, em consequência, os nossos meninos e meninas estão a ser prejudicados por esse facto.
Não é verdade: os nossos meninos e meninas não são educados para a importância da leitura, em casa não entram livros, nem jornais, a leitura entra por obrigação da escola e se os pais não fiscalizarem, o livro que foi comprado permanecerá intacto.
Basta andar em qualquer transporte público deste país para verificar que em Portugal não existe o hábito da leitura: uns dormem, outros olham o vazio e, os que vão acompanhados, palram em voz alta.
Maria Regina Rocha não descobriu nada de novo.
Na Escola Pública actual ninguém lê, quanto mais ir para além do que é básico na interpretação de um texto.
Há mais de uma década. Espero que o seu Mestrado seja de Arqueologia, vai ter vinte.

3 comentários:

Armando Rocheteau disse...

Em grande e na mouche.

Ana Cristina Leonardo disse...

Por acaso agora nos comboios vê-se quase toda a gente a ler os jornais gratuitos. Não sei se será grande leitura, mas pelo menos provará que antes de iletrada a malta é tesa.

FernandoRebelo disse...

É um começo...