quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Telegramas

Krugman revela-se pessimista sobre o ano 2008, em especial para a Economia USA - Das fanfarronices ao medo, é o título de uma desassombrada análise de política económica de Paul Krugman, inserta no NY Times. E o que nos diz ele de relevante? O desemprego aumenta…porque os efeitos do colapso do imobiliário residencial parecem “incontroláveis”, desvirtuando a miragem agitada pela cassete dos refrães do ano transacto. “The levees have been breached, and the repercussions of the housing crisis are spreading across the economy as a whole”, justifica. Para indicar que, não se podendo ainda falar de uma “formal recessão”, o que “parece claro é que 2008 será um ano muito agitado para a economia americana”. Tudo por causa, pontua, “da fraca prestação global da economia dos anos GWBush: dois anos e meio de desemprego, três anos e meio de bom mas não suficiente crescimento, e mais dois anos de renovado abrandamento económico”. Os candidatos presidenciais que apostam na mudança, Hillary Clinton e Barack Obama, podem ter chances num contexto depressivo como este, reflecte. Mas, pondera, os candidatos do establishment – Republicanos - podem fazer aparecer o dispositivo maior de contra-ataque quando as coisas giram mal - o pivô da banha-da-cobra transferido para o medo. “You see, for 30 years American politics has been dominated by a political Robin.Hood inreverse, giving unto those that hath while taking from those who don´t. And one secret of that long domination has been a remarkable flexibility in economic debate. The policies never change- but the arguments for these policies turn on a dime”. Os democratas querem voltar ao nível de impostos da era Clinton, de forma a atenuarem o grave deficit da Segurança Social, um dos maiores flagelos do liberalismo bushista sem rodeios…

Quénia: elites apostam no tribalismo, a ferro e fogo - A política da terra queimada ensanguenta a África de maior potencial. Depois do genocídio inumano praticado pelos warlords na Serra Leoa e na Libéria, a “vitrina” democrática da África do Oeste, a Costa do Marfim, quase um protectorado francês por causa da riqueza agrícola insofismável, há mais de dois anos, assiste impávida ao desenrolar de um processo político auto-destruidor de proporções alarmantes. Os franceses têm estacionado um volumoso contingente de tropas de intervenção. E organizaram o exército do “socialista”, Laurent Gbagbo, cuja família tentacular se meteu a gerir negócios muito rentáveis. O caso do Quénia, na Costa Oriental, com um processo democrático quasi-regular desde 2002, outro dos “celeiros de África” e com um potencial turístico enorme, degenerou por causa da ambição de um dos filhos mais exemplares dos independentistas do país, Raila Odinga. Os erros cometidos por corrupção e nepotismo pelo PR mal reeleito, Mwai Kibaki, deram o lamiré para uma purga étnico-tribal impensável nos dias de hoje. Os EUA e sobretudo a África do Sul tentam salvar os móveis, tentando sentar à mesa das negociações, o PR, membro da etnia dos Kikuyu, e o líder contestatário e multimilionário, pertencente à etnia dos Kalengin, R. Odinga, ele que já tinha apoiado o agora contestado presidente contra o ditador Moi, nos anos 90. Será que existem conexões entre os grandes “barões” envolvidos nos negócios entre a África do Sul e o Quénia, dispostos a ganharem quotas de mercado para as suas especulações económicas, nem sempre muito curiais e cristalinas?

Irão: Ahmadinejad perde apoios do Líder Supremo - O líder religioso, ayatollah Ali Khamenei, está muito descontente com os resultados da política económica apurados pelo PR , Mahmoud Ahmadinejad. Segundo a correspondente em Teerão do NY Times, Nazila Fathi, Khamenei num contexto mais desanuviado pelo fim das ameaças temporárias de ataque dos EUA, recuperou muitas das críticas ao populismo e primitivismo demagógico da política económica do governo presidido por Ahmadinejad. A inflação ronda os 20 por cento, o desemprego os 16 e não se vislumbra um esboço mínimo de estratégia económica sustentável. Entretanto, Khamenei nomeou um líder radical para comandante de uma das mais importantes milícias do país, que tinha sido demitido por Ahmadinejad. E enviou como emissário especial ao Cairo, Ali Laranjani, da ala moderada do antigo ayatollah Khatami, factos que deixaram por terra o PR desorientado e a perder força cada dia que passa. Entretanto, as eleições Legislativas na próxima Primavera podem acentuar o fm de um período de grande desequilíbrio político e crise económica multissectorial.


FAR

1 comentário:

Anónimo disse...

As coisas são o que são. E não existe maneira de fazer de outro modo. Isto é, para contrariar a má Imprensa- que se deixa agrilhoar pelos falsos democratas...- temos que ir procurar a Verdade. Que muita vezes é incómoda, irregular e inconclusiva. As notas sobre o Quénia, era o que faltou indicar, foram colhidas no Le Monde( artigo de Opinião, dia 8/1) e no Financial Times, o grande quotidiano de economia, edição de ontem. Bom vento. E o Sócrates que se cuide...FAR