quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

IV- Alain Badiou: O acontecimento e o ilimitado

O espantoso livro de Alain Badiou, “ De quoi Sarkozy est-il le nom?”, continua a agitar o espaço político e cultural mundial. E força os mediocratas e intelectuais engagés a optarem. O debate tem tido uma envergonhada repercussão em Portugal. José Pacheco Pereira, de forma elíptica e redundante, tem postado textos, in Público, vertidos no Abrupto, em seguida, onde, usando tese cara a Jean Baudrillard só se detecta a “ transparência do Mal”; pois, sublinha“o arbitrário é difuso", e os intelectuais tentam o impossível “para incarnar o integrismo do pensamento legítimo com todo o ardor do masoquismo". E do sadismo, acrescentamos nós…

1. “Existe apesar de tudo um problema acerca do Acontecimento, analisado por Badiou. Ele próprio mo confessou: há como que uma oscilação…acontecimento…Como o designer? Ele não quer dar o passo Derrideano (J.Derrida) de confessor, que, o Acontecimento, não se reconhece senão no seu traçado. Apesar de tudo, recusa-se a substancializar o Acontecimento. Ele di-lo, precisamente: “ O que conta não é o acontecimento, em-si, mas a Fidelidade. O problema não reside na separação que se pode verificar entre o Acontecimento e a sua apelação". in (Slavoj Zizek, etudes lacanienes)

Alain Badiou: “ Importa opor o ilimitado ao ideal científico. Adorno é um dos que apostaram no ideal do ilimitado, com e depois Bergson, Heidegger, Deleuze e outros, opostos a uma forma suposta fechada do ideal científico. A compreender como o que veicula que a negação da negação é a afirmação e encerra, por conseguinte, a negação. O ideal do ilimitado, pelo contrário, visa a ideia de uma negação tal que, mesmo a negação a não apaga; apesar de tudo, poder-se-ia negar a negação, mas não a conseguimos suprimir e toda a abertura será mantida. O ilimitado é o processo de substituir à forma a transformação da forma. O informal é, nesta perspectiva, a possibilidade de se confrontar ao informe. Na dimensão que faz com que toda a forma não se postula senão para ser imediatamente transformado, e esta transformação deve ser ela própria errática ou sem forma”. (Seminário da E.Normale.Sup.2005. Sobre a tese de Adorno in “Dialéctica Negativa“)


FAR

5 comentários:

Anónimo disse...

O texto mais emblemático de JPP, nesta colheita de 2008,onde ele se coloca ao nível de António Barreto e Vasco Pulido Valente,foi publicado, no Público, a 12 de Janeiro corrente, e intitula-se, " Os velhos do Restelo contra a West Coast of Europe ". Tenho lido coisas muito importantes do António Figueira, in Cinco Dias- Blogue.Geralmente esses bloguistas de alta categoria criticam/glosam as posições de JP Pereira... Existe uma passagem no referido texto de Pacheco Pereira que nos causa a maior das perplexidades. Ei-la e discutam-na, s.f.favor. : " Por estranho que pareça, esta liberdade libertária tem continuidade na profunda convicção de que a revolução dos costumes desses anos, o que deles vai ficar, só é garantida pela riqueza, riqueza de dentro, a "cultura "esse termo tão abastardado, e riqueza de fora, posse das coisas, de bens, do tempo próprio ". Isto, parece um hara-kiri de pensamento político, de equívoca perfomance. O mais paradoxal, é que, no parágrafo imediatamente anterior, JPP sentenciava deste modo: " Aquilo que, na sua imensa ignorância, alguns consideram ser as ideias dos anos 60, o mal que Sarkozy e os seus imitadores querem extirpar, é uma noção individual da liberdade, um gosto pela vida autónoma, uma vontade de não depender de ninguém, uma desconfiança natural da autoridade presumida e arrogante, que semprefoi mais forte que o invólucro radical desses mesmos anos ". Um study-case de alta voltagem: onde se espelha a fraqueza e a força do nosso Modo de Produção Intelectual da actualidade. Queiram discutir e procurar referências sobre tão crucial questão. Salut! FAR

Táxi Pluvioso disse...

Pode ser que agite mas... no subsolo, voando baixinho, como os crocodilos. Na tasca da Ti' Amélia, onde se bebe tinto da pipa, ninguém mencionou tal prodigioso livro . O único Acontecimento de que se fala é da Infidelidade geral.

Uma boa notícia. No dia 3 de Julho de 2084 será publicado o livro que dará liberdade a todos. Esse sim! Será O Livro! Condensará o passado num rizoma e trará em si a "nano liberdade" que se infiltará no tecido social para o remendar... e liberdade para todos, gravada pela máquina de Kafka (in "Colónia Penal").

O autor ainda não nasceu, mas os jornalistas de referência, reputados entre pares e ímpares, eempregados nos bons jornais, (de ler e chorar por mais), estão-lhe na pista.

E o Sarky? Casou ou não? E a noite de núpcias, foi mais Barthes ou Foucault? Ou Benoist?

Anónimo disse...

Mister T.P. Arrisque, homessa. Discuta tudo! Quer descorticar os textos de J.Pacheco Pereira? Em que Mundo, V.Excia, se exerce?!? Salut! FAR

Táxi Pluvioso disse...

O pacheco já está na história da literatura portuguesa pela mão de Eça de Qeiroz na "Correspondência de Fradique Mendes". Não sei se vale a pena discuti-lo.

Mas afinal onde está esse texto maravilhoso, que ombreia as "Crónicas de Narnia"? Menos no Abru(p)to, pois recuso frequentar sítios sujos. Estou enrascado na escrita do próximo post, mas sempre tiro meio minuto para lê-lo.

Anónimo disse...

Mister TP: Não me diga que não compra o Público? Pelo menos, os artigos de Opinião têm portagem, mister TP.Vá ao Abrupto, fica-lhe mais barato. E deixe-se de coisas menores...FAR