terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Alain Finkielkraut: pensar sem palas nem rede, s.f.favor!

Assinou com Pascal Bruckner aquele ensaio-romance, em volta da “Nova Desordem Amorosa”, que correu Mundo. Pertence à geração dos post-Mai 68, portanto, que fizeram o percurso musiliniano de estudar depois de protestar…B-H. Levy publicou-lhe alguns livros nas suas colecções da Edit. Grasset. Na crise política que antecedeu as presidenciais francesas de 2007, Finkielkraut pareceu tentado em apostar em Nicolas Sarkozy, como Bruckner, Max Gallo e Couteaux o fizeram. Esta entrevista, clicar aqui, publicada no Libé, fala de tudo que assalta o escritor/ filósofo, sobretudo em torno da Cultura e da Educação, pedras filosofais de base para tornar forte a democracia…

“O drama do nosso tempo, é a transformação de todas as coisas materiais e espirituais em Direitos do Homem. Mudámos, assim, de época e de ideal: a criança mimada sucedeu ao homem culto. Toda a gente, é verdade não é mimado- longe disso. Toda a gente não é consumidor , mas toda a gente o quer ser e o preconiza.(…) o ideal da criança mimada destroy a cultura sem eliminar as desigualdades”, aponta.

O filósofo torna-se Imprecator, de forma radical: “Há coisas novas no firmamento. O novo, nesta ocurrência, é o reinado sem partilha da TV sem complexos, o papel prescritor dos artistas-palhaços, e a transmissão das normas sociais pelas vedetas do show-business e do jet-set. O pequeno écran, que invadiu tudo, foi ele próprio invadido por uma nova casta dominante que se crê libertada dos espartilhos bugueses, ao mesmo tempo que se desembaraçou de todo o escrúpulo e cujos gostos, a linguagem, a conivência regressive, a risada perpétua, a obscenidade tranquila e o chafurdar na baixeza testemunham de um desrezo pela experiência das coisas belas que os professors têm o dever de transmitir.É cada vez mais dificil resistir a esta vaga invasora”.

Sobre as aventuras sexuais de Sarkozy, Finkielkraut, que abandonou a possível aliança com o PR, depois da viagem de yacht e do jantar de gala no Fouquet´s cometidos pelo novo presidente, 24 horas depois de ter sido eleito, assegura: “Jornalistas, esquecei Carla! E se disserem que Sarkozy vos instrumentaliza mostrando a sua vida sentimental, sejai adultos! Questionem o PR sobre o poder de compra, a Escola, o contraste entre a política de Civilização e a vontade não menos defendida de libertar o crescimento, isto é, o consumo, de toda a sobrecarga civilizacional”. Sequência muito gira em relação com a experiência existencial de Olivier Rolin, o enragé que se tornou grande escritor, onde Finkielkraut assegura que, a “revolta de 1968 contra o velho mundo, tinha de tocante o facto de ser realizada com os impressores, os livros, os instrumentos e a retórica dos velhos tempos. Mas os 68´s tiveram uma grande responsabilidade no desastroso repatriamento da grande ideia crítica de relativismo cultural no interior da nossa sociedade”.


FAR

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