quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

O xiismo à moda de Khomeiny

Um artigo muito desigual do Monde Diplomatique deste mês traça, em termos sintéticos, uma definição do xiismo dominante sob labéu do Irão, onde as eleições do dia 18 para o Conselho dos Sábios revelam três candidatos para o cargo máximo da República Islâmica

O NY Times tem mais qualidade, profundidade e rigor nas análises políticas do que o Le Monde Diplomatique, a cartilha do Attac e da nebulosa altermundialista. Trata-se mesmo de uma constatação que salta pela força da evidência. Andei na Biblioteca a consultar mundos e fundos sobre o Islão com a preciosa ajuda da Enciclopedia Universalis. As eleições para o Colégio dos Sábios iraniano realizar-se-ão a 18 do corrente e, como lembra um recentíssimo artigo de Seymour Hersch na N. Yorker, os neo-cons em saldo tentam aliciar GW Bush a bombardear o Irão. A hipótese não é muito credível, mas nunca se sabe o que é que o presidente norte-americano pode ser capaz de fazer. Tudo isso me determinou a prosseguir a procura da caracterização exequível do xiismo dominante e invasor. E caí sobre uma definição avançada pelo último número do M.Diplomatique, no interior de uma artigo fracote e rasteiro.

O xiismo ortodoxo preconizado pelo ayatollah Ruhollah Khomeiny foi definido pelo cérebro da Revolução iraniana de 1979 num axioma intitulado teoria do velayat-e faqih, ou governo dos visionários ou doutos. Como já tinhamos assinalado, o xiismo dita que a sucessão de Maomé pertence por direito a Ali, o genro do Profeta, e aos seus sucessores. O último dos herdeiros, o imã Mohammed, desapareceu em 874 e tornou-se num iman escondido, que há-de surgir para restaurar o reino da Justiça: Esperando pelo seu regresso, quem é que deve dirigir os crentes? Para Khomeiny, esse papel deve pertencer aos mollahs ( " teólogos") e ao faqih ( " douto") vigário do imã escondido e delegado da soberania divina.

A próxima eleição do Guia Supremo deve apresentar três candidatos: o actual ayatollah Khamenei (que muitos dizem seriamente doente), o candidato do PR Ahmadinejad, Ali Yazdi e um candidato-surpresa fruto de uma cisão no topo dos Guardas da Revolução. Com uma economia mono produtiva, no essencial, as tendências inflacionistas rodam os 20 por cento e as restrições votadas pela ONU podem manifestar-se pelo aparecimento de grandes dificuldades económicas para a obtenção de créditos urgentes para fazer face às despesas de um sistema social dominante e asfixiante.

FAR

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