Um artigo muito desigual do Monde Diplomatique deste mês traça, em termos sintéticos, uma definição do xiismo dominante sob labéu do Irão, onde as eleições do dia 18 para o Conselho dos Sábios revelam três candidatos para o cargo máximo da República Islâmica
O NY Times tem mais qualidade, profundidade e rigor nas análises políticas do que o Le Monde Diplomatique, a cartilha do Attac e da nebulosa altermundialista. Trata-se mesmo de uma constatação que salta pela força da evidência. Andei na Biblioteca a consultar mundos e fundos sobre o Islão com a preciosa ajuda da Enciclopedia Universalis. As eleições para o Colégio dos Sábios iraniano realizar-se-ão a 18 do corrente e, como lembra um recentíssimo artigo de Seymour Hersch na N. Yorker, os neo-cons em saldo tentam aliciar GW Bush a bombardear o Irão. A hipótese não é muito credível, mas nunca se sabe o que é que o presidente norte-americano pode ser capaz de fazer. Tudo isso me determinou a prosseguir a procura da caracterização exequível do xiismo dominante e invasor. E caí sobre uma definição avançada pelo último número do M.Diplomatique, no interior de uma artigo fracote e rasteiro.
O xiismo ortodoxo preconizado pelo ayatollah Ruhollah Khomeiny foi definido pelo cérebro da Revolução iraniana de 1979 num axioma intitulado teoria do velayat-e faqih, ou governo dos visionários ou doutos. Como já tinhamos assinalado, o xiismo dita que a sucessão de Maomé pertence por direito a Ali, o genro do Profeta, e aos seus sucessores. O último dos herdeiros, o imã Mohammed, desapareceu em 874 e tornou-se num iman escondido, que há-de surgir para restaurar o reino da Justiça: Esperando pelo seu regresso, quem é que deve dirigir os crentes? Para Khomeiny, esse papel deve pertencer aos mollahs ( " teólogos") e ao faqih ( " douto") vigário do imã escondido e delegado da soberania divina.
A próxima eleição do Guia Supremo deve apresentar três candidatos: o actual ayatollah Khamenei (que muitos dizem seriamente doente), o candidato do PR Ahmadinejad, Ali Yazdi e um candidato-surpresa fruto de uma cisão no topo dos Guardas da Revolução. Com uma economia mono produtiva, no essencial, as tendências inflacionistas rodam os 20 por cento e as restrições votadas pela ONU podem manifestar-se pelo aparecimento de grandes dificuldades económicas para a obtenção de créditos urgentes para fazer face às despesas de um sistema social dominante e asfixiante.
FAR
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