sábado, 30 de dezembro de 2006

A execução de Saddam Hussein

" Um ditador criado e destruído pelos USA"

Em cima da jogada, um artigo de Robert Fisk, do The Independent- Daily.
E publicado agora mesmo no Truthout.org. Resume: Ben Laden fica feliz, a par de
Bush e Blair...


Robert Fisk é um experimentado repórter de guerra e especialista do Iraque. Poucas horas
depois da morte do antigo ditador, revela as suas principais impressões num artigo intitulado, " Um ditador criado e destruído pelos USA". E como conhecedor do pathos árabe
questiona-se: quem sai favorecido desta morte por enforcamento? " Foi uma fácil equação " e acrescenta: " Esperemos que o mundo muçulmano se esqueça que a execução foi feita na véspera da celebração do Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício, o momento de maior religiosidade do Mundo Árabe".

Fisk diz que talvez se fale da provável " condenação de outros culpados ". E recorda a invasão do Iraque que produziu centenas de milhares de mortes. "Juntámos a nossa vergonha à antiga de Saddam na prisão de Abu Ghraib . E ainda estamos a conjecturar esquecer estes terríveis crimes quando aplaudimos o rolar da mortalha do ditador que criámos ".

" Encorajámos Saddam a invadir o Irão em 1980, obrigando-o a sacrificar mais um milhão e meio de compatriotas. E quem lhe vendeu os componentes para as armas químicas com que pulverizou o Irão e os Curdos? Fomos nós. Não espanta, por isso, que a América, que controlou todo o processo de Saddam, se abstenha de mencionar tudo isso, as suas mais obscenas atrocidades, nos crimes requeridos contra ele. Não teria sido possível entregá-lo aos iranianos para que eles o sentenciassem? Claro que não. Porque isso teria revelado a nossa culpa".

" Foi o meu colega, Tom Friedman - agora um messiânico colunista do The New York Times - que apreendeu o verdadeiro carácter de Saddam antes da invasão de Março de 2003: Saddam era, escreveu, metade Don Corleone, metade Donald Duck". E nesta singular definição, Friedman captou o horror de todos os ditadores: a sua sádica atractividade e grotesco, inacreditável natureza da sua barbaridade ", frisa.

E remata: " A sua execução decorreu como se de uma questão americana se tratasse - e o tempo acrescentará a esse falso mas pesado simulacro tudo isso - para lá de se aperceber que o Ocidente destruiu um líder árabe que não obedeceu por muito tempo às ordens de Washington"

FAR

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