O presidente venezuelano conseguiu vencer pela terceira vez consecutiva. Vai
purgar o que resta do aparelho de Estado e formar partido político unipessoal...
O mundo gira e a América Latina (e do Sul) torna-se vermelha. Com todos os arcaísmos de uma solução populista feita com swing e dicas de Cuba. Lula da Silva pode dizer adeus ao seu sonho de liderar a alternativa socialista: encontra Hugo Chàvez na linha da frente e pleno de flexibilidade táctica e entusiasmo eleitoral. O Le Monde e o NYT fornecem-nos as melhores análises, em ordem a perceber a mudança e as chances: o presidente venezuelano quer ficar no poder até 2021. Se puder, claro. Porque tudo depende da balança do preço do barril de petróleo, no caso da Venezuela; e das exportações mineiras e de soja no que concerne ao futuro imediato do projecto político do Brasil.
A reeleição de Lula e o tri de Chàvez deitaram por terra os sonhos armadilhados por Bush para constituir um M.E.R.C.O.S.U.R. à sua medida, uma cópia mais desigual e atrabiliária do mercado comum que liga os EUA ao México e ao Canadá, a N.A.F.T.A. Os dois populistas afastaram a perspectiva de uma solução neoliberal de efeitos rocambolescos. É que o poder diabólico das leis do mercado puro subvertem tudo, se tal for necessário, hoje, a uma escala de accionista atomizado e desarmado...
Chàvez venceu em eleições livres contra a oposição social-democrata que se aliou à extrema-esquerda. Controlava o governo provincial em absoluto e venceu agora em 23 estados e na capital. " Chàvez deve tentar segurar ao máximo a sua supremacia, precavendo-se contra concorrentes potenciais do seu próprio espaço político"." A prioridade agora é o que ele apelida de ´revolução na revolução `, afirma Steve Ellner, docente da Universidade do Oriente no leste da Venezuela. " Isso quer dizer um processo de purga dos que cometeram excessos de corrupção ou de burocracia. Em Janeiro vamos ver as cabeças rolar ", acrescenta.
" Chàvez não é um ditador mas também não é Thomas Jefferson ", adiantou o conselheiro principal do candidato da oposição, Manuel Rosales. Este conseguiu 40 por cento dos votos nacionais, apesar de liderar um só pequeno estado, Zulia. A Imprensa livre da capital apoiou a campanha do vencido, diz o enviado especial do NY Times, Simon Romero. O boom petrolífero venezuelano permitiu a adopção de programas sociais extremos, nas áreas da Saúde, Educação e nível de vida.
Com a maior taxa de crescimento económico da América do Sul, a Venezuela cresce a um ritmo de 10 por cento e a nova classe empreendedora, os bolivaros-burgueses, compram tudo o que há de mais caro, esgotando os expositores da mundialmente famosa joalharia," Cartier ", e adquirindo BMW e Audi´s a um ritmo alucinante., salientam os enviados especiais do Le Monde. Para lá da venda dos utilitários da Ford e da GM/Opel atingirem as 300 mil unidades. Por outro lado, os depósitos bancários cresceram 84 por cento nos últimos doze meses. Um dos mais célebres economistas da oposição, Miguel Penfold-Becerra, do Instituto de Altos Estudos Económicos, jura que " o petróleo restituiu um período de harmonia, tendo contribuído para uma certa paz social e estabilidade ".
FAR
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