sexta-feira, 26 de março de 2010

EM CONTRATEMPO TÁCTIL

Passo com os dedos
O teu rosto
De um fôlego apaziguado
As pálpebras borboletando no batimento cardíaco
Percorro lábios que tinham amanhecido
E nas covas fundas do rosto
Onde se tecem as doces olheiras
Azeitona escuro incólume e amendoado
Prego o silêncio

Olhos a promessa cantam solta
Irradiam palavras apetrechadas de asas
Em estrias de transparência e pele monologando
Esse aberto de esforço que as olheiras habita em dias longos e intensos
São as caudas da visão em cometa
Marés nas planícies deslizando a noite e nos despertam

Dessas deambulações cresce
Um absoluto de manufactura
Olimpo de cravinas em assembleia
Que a infância tece sempre de volta

Aí estamos algures fora da moldura

f. arom

1 comentário:

Teresa disse...

Sensualidade à flor da pele, sempre desejada.