sexta-feira, 19 de março de 2010

Baile dos Bombeiros.2

Música de Mad Dog Clarence e letra do colectivo Viggis; variações sobre a “Negra Tava Mamando”

*Dedicado à Diva da Liberdade Josina MacAdam

Em anterior ‘posta’ propusemo-nos, e para isso nos servimos da farsa psicotrópica que foi à cena em Mafra, contribuir para o combate da ‘malaise’ lusitana. Uma ‘condição’ que afecta em termos gerais a autoestima e, particulamente, a visão, impedindo o paciente colectivo de tomar consciência da grandeza de Portugal. Ver ‘Antropologia da Felicidade’, capítulo sobre a ‘Miopia”. A verdade é que os portugueses continuam a dar lições ao Mundo e o Mundo vai, mais uma vez, lá onde o Mundo se reúne este ano, na EXPO de Xangai, ter oportunidade de se prostrar, loar e prestar tributo ao espírito lusitano. O pavilhão de Portugal pode ser recatado na dimensão, mas é enorme, mais, genial, na concepção: todo vestido e revestido a cortiça, simplesmente cortiça. Ah! La vie en cork. De acordo com a equipa de sábios que coordena a participação de Portugal, a cortiça é um “material nacional, reciclável e ecológico”, o que constitui, em nossa opinião, uma boa base de sustentação teórica da opção escolhida para espantar o Mundo. “Trata-se de em exemplo de inovação e de boas práticas ambientais que potenciam a imagem de Portugal”, como também se pode ler no sítio dos sábios. Não é difícil imaginarmos que depois de Xangai (1 de Maio a 31 de Outubro) o Mundo não será o mesmo. E Portugal também não.
Onde hoje ainda estão uns campos de trigo, hortas, florestas, fábricas, estradas, aldeias, vilas e algumas cidades, hospitais, escolas e prisões, teatros e oficinas e, claro, cemitérios, ficará um esplendor de sobreiros. Uma imenso chaparral nacional para fornecer o Mundo de ouro castanho pago a dez medidas do amarelo. Pela única autoestrada que sobreviverá à sobreirização do Rectângulo circularão os nossos TIR, movidos a bolota, exportando para os nossos fregueses (na terminologia inolvidável de Vasco Gonçalves) a unidade de conta do futuro. Cortiça, cortiça, cortiça.
E imaginem como ficarão os nossos amigos de Xangai quando, encerrada a Expo, pelas portas de cortiça do Pavilhão de Portugal se esgueirarem um, dois, três, dez milhões de lusitanos, argonautas do nosso tempo na demanda do Cortição de Ouro.

Bom, temos de interromper aqui que a cousa vai longa e está na hora de tomar os remédios.

JSP

3 comentários:

Edward disse...

Só mesmo o stor para se lembrar de uma coisa destas. Desde quando a cortiça é um material reciclável? Quando o nosso primeiro ministro a testar no traseiro e vir que funciona para mais qualquer coisa do que para tapar o vinho que da de beber aos bebados e que forra as paredes das casas que daqui a 10 ou 15 anos incham e apodreçem com a humidade. Gostei do promenor do La vie en cork.x D cork é uma cidade bonita, lá isso é verdade, mas é no pais das cervejas. Oh stor desculpe lá mas o stor parece que se anda a dedicar ao alcool e refere-o indirectamente nos seus textos. O texto está realmente muito bem feito e é uma comédia. Nao sei se era isto que queria que lhe dissesse mas parece que afinal nao passo de mais um bronco como todos os outros. Fique bem

Armando Rocheteau disse...

Eduardo, obrigado pelos seus comentários. Mas se reparar verá que os textos não são meus. Vá voltando

Táxi Pluvioso disse...

A cortiça é economicamente muito importante, hoje, como já o foi, ontem, o barro (que Deus usou para fazer o Homem, sim! foi exportado por Portugal, caso não saibam, e que a fábrica Bordalo disseminou, depois, pelo mundo, sob a cilíndrica forma de cabeça vermelha). Até já a usam para fazer leis.

E claro que é reciclável, pode ser comida, com todos ou só com grão, quando o fim do mês está longe, e o residual do vencimento não permite ida à mercearia.