quinta-feira, 25 de março de 2010

Do Escuro Anterior

7

Depois descemos pela poeira
Hospedados os deuses em suas casas

De longe segurando os frutos
Vimos o lucilar das lanças e as abóbadas fendidas

Os nomes
Inermes nas bermas dos caminhos
Imprecavam às cidades

Ur, a perdida,
Sttutgart ainda à Sua espera
E as botas na lama do Sublime por Diotima

Se os deuses as ocupam
Onde abrigar os Amigos?
Dissemos

E plantámos a maçã no teu ventre
E veio a noite

O que nos cercava
a videira redimiu

E o sol Amigos
Eu vi

Um anjo máquina pelos caminhos da montanha
Os vales e as reentrâncias da Terra
Seus lábios no mar

Era depois do Escuro
E as mãos
O que tacteámos delas!

Um nome disse: é um dorso
Arqueado ao meio por um rio

Alguém desesperou do rosto
E as casas abriram-se
E eram os teus seios

Eu vi a Árvore
E o diverso sopro


Ó os cajueiros de os erguer
Da infância

Ò trovão anunciando os Espíritos
Arrepio azul dos gala-galas

Ò longe aqui tão perto nos caminhos
Que as mãos afagam

Perdida tu na lonjura
E precipitada de toda a Beleza

Alta noite
Hannah
E os Amigos latejando

Ò trucidante máquina louca
Do mundo
Íman mineral silenciosa

Ó espúria!

Eu vi

E foi o primeiro Escuro

Luís Carlos Patraquim

Excerto de “O Escuro Anterior”, inédito

2 comentários:

Ivone Ralha disse...

Uauu! Um inédito do Patraquim...
Ganda blog, prof. Rocheteau!

Teresa disse...

Pela primeira vez li poesia de Luís Carlos Patraquim. Senti-a enigmática, densa e ardente.