quarta-feira, 24 de março de 2010

Da Capital do Império

Agora que o governo britânico expulsou um diplomata israelita de Londres acho por bem aproveitar a oportunidade para revisitar o assassinato do dirigente do Hamas Mahmoud Al-Mabhouh no Dubai a 19 de Janeiro.
É uma história de faca e alguidar e não me perguntem como é que sei o que vos vou contar. Não digo.
Al-Mabhouh – para além de no passado ter estado envolvido em operações terroristas pelo Hamas e de estar na lista de terroristas dos serviços secretos e de imigração europeus – era actualmente o elo de ligação entre o Hamas e o Irão no negócio de armas. O Dubai como porto livre é um dos principais locais para o negócio de armas do mundo. (Os serviços secretos russos assassinaram no Dubai um ano antes um dos dirigentes rebeldes chechenos)
Mas o assassinato de Al-Mabhouh não foi levado a cabo numa operação relâmpago.
O tipo de operação que decorreu no Dubai revela que o líder do Hamas estava a ser meticulosamente seguido há meses senão anos. O tipo de controlo levado a cabo deve ter envolvido meios técnicos, humanos e físicos.
Três (ou quatro) palestinianos foram presos no Dubai após o assassinato e tem havido um silêncio total sobre a sua identidade. Na Síria alguns elementos do Hamas foram também interrogados.
O dirigente do Hamas chegou ao Dubai sem guarda-costas. Aparentemente os guarda-costas não conseguiram reservar bilhetes de passagem para o dia em que Al-Mabhouh viajou o que indica que a viajem ou pelo menos as reservas da mesma foi precipitada.
Mas a equipa enviada para matar Al-Mabhouh já se encontrava no Dubai quando este lá chegou vindo da Síria onde residia. (Excepto o comandante no terreno da operação um francês usando o nome falso de Peter Elvinger que chegou na madrugada do dia da chegada de al Mabhouh). A equipa tinha na verdade chegado ao Dubai vinda de diferentes partes do mundo (Paris, Frankfurt, Roma e Zurique) o que só por si é indicativo de como a operação tinha sido planeada com muita antecedência. Mas não se sabia para que hotel o homem do Hamas iria. Ou melhor sabia-se o nome de dois hotéis dos quais Al-Mabhouh iria escolher um após chegar ao Dubai. Sabia-se também que o palestiniano viajava com um passaporte falso o que obviamente lhe deu falsa segurança. Um grupo foi estacionado num hotel; outro grupo no outro. No dia da chegada do dirigente do Hamas um outro grupo estava no aeroporto à sua espera para o seguir. Quando ficou claro que al-Mabhouh iria seguir para o Al Bustan Rotana Hotel o outro foi abandonado pelos elementos da equipa que ali estavam colocados concentrando-se toda a equipa no hotel escolhido pelo palestinano e nas suas imediações.
No hotel que Al-Mabhouh escolheu o palestiniano foi seguido de perto até ao seu quarto (é o video do hotel com dois homens disfarçados de jogadores de tenis a sairem no mesmo andar que al Mabhouh). Com o quarto identificado (quarto 230) agentes reservaram um quarto no mesmo andar ( A reserda co quarto 237 foi feita em nome de Elvinger).
Nesse mesm dia (19 de Janeiro) o dirigente do Hamas esteve na embaixada do Irão para discutir um carregamento de armas para a Faixa de Gaza. Regressou ao seu hotel por volta das 8.30 da noite. Antes disso houve uma entativa de “reprogramar” a chave electrónica do quarto de al Mabhou. Os agentes sabiam que Al-Mabhouh não tinha nenhum encontro previsto para essa noite. Nessa noite foi assassinado pouco depois de ter chegado. Não houve qualquer indício de arrobamento ou violência para se entrar no quarto. Al-Mabhouhb recebeu primeiro um choque eléctrico de uma “stun gun” depois foi injectado com Suxamethonium que quando injectado em grandes quantidades causa a paralisação do coração. Dificil de detectar após a morte.
Os agentes que participaram na missão estiveram sempre em contacto telefónico com um número na Áustria. É possivel no entanto que esse numero trasnferisse automaticamente as chamadas para um outro noutra parte do mundo. Isto indica que o comandante ou comandantes da operação não acompanharam a equipa ao Dubai.
Todos os membros da equipa enviada ao Dubai usaram cartões de crédito ligados a uma companhia de nome Payoneer. O director da Payoneer é um antigo membro das forças especiais israelitas. A Payoneer é controlada por uma outra companhia sediada em Israel. A maior parte dos pagamentos que efectuaram para despesas no Dubai foram no entanto feitos em cash
Os membros da equipa de assassinos deixaram o Dubai para diferentes partes do mundo. O comandante no terreno, o francês Elvinger, deixou o Dubai pouco antes do assassinato.
Quatro deles foram para a África do Sul.
Dois deles partiram para o Irão.
Pode não haver dúvidas sobre quem levou a cabo a operação. As incertezas jazem em quem colaborou, porquê e durante quanto tempo.

Jota Esse Erre

2 comentários:

1 Espectador SC disse...

Muito Boa Tarde,

Aproveito a minha regular visita ao seu espaço para informar a abertura de um novo blog dedicado exclusivamente ao debate de temas falados no programa de televisão Sociedade Civil. Como espectador, este meu novo espaço visa expressar as minhas opiniões sobre o assunto falado no dia. Aproveito a minha passagem pelo seu blog para divulgar, para que todos visitem e que sigam este blog. Serão todos bem vindos, bem como a colocação de links está em aberto. Se a colocação for feita neste seu espaço, colocarei também no meu, basta informar.

http://umespectador.blogspot.com/

Boa continuação e espero que apareçam.

Táxi Pluvioso disse...

E já agora, durante a sessão de tortura, prévia ao limpanço do sebo, que informações lhe sacaram?