quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O mundo de Houellebecq

A fina-flor da crítica literária mundial reuniu-se desta feita em Amesterdão para a II edição do conclave sobre a obra literária do autor da Possibilidade de uma Ilha. O Libération de hoje revela-nos tudo sobre essa celebração caústica e sedutora.

"Mercredi 24 octobre, 10 h 30. La première communication de la journée promet beaucoup : «Cunnilingus et fellation : le sexuellement correct chez Michel Houellebecq.» Murielle Lucie Clément, chercheuse indépendante, a inventorié les pratiques sexuelles dans l’œuvre houellebecquienne ; elle nous fait profiter aujourd’hui de ce travail minutieux ainsi que d’aphorismes de circonstance comme : «La fellation peut être utilisée comme une caresse dans le cours normal de l’étreinte, mais certainement pas comme une méthode de réanimation.» (C’est de Romain Gary.)
Un peu plus tôt, la professeure Ieme Van der Poel, titulaire de la chaire des études de lettres et culture françaises à l’université d’Amsterdam, avait délivré un court speech de bienvenue à la cinquantaine de chercheurs accourus d’Europe et d’Amérique du Nord pour la seconde édition du colloque Le monde de Houellebecq. Devant ces universitaires spécialisés dans la théorie littéraire, environ 35 ans de moyenne d’âge, Ieme avait insisté sur la parfaite adéquation du lieu et du thème : «Liberté et libertinage sont deux aspects importants de cette ville.» On ne pouvait être mieux accueilli.
La Néerlandaise Sabine Van Wesemael, de l’université d’Amsterdam, avait ensuite prononcé une conférence introductive qui, sous le titre singulier de «Faire un gros câlin», s’était révélée être un judicieux exercice d’intertextualité entre Gros Câlin, premier roman d’Emile Ajar (alias Gary, déjà cité), et Extension du domaine de la lutte, premier roman de Houellebecq. Les héros de ces ouvrages ne sont-ils pas tous deux «des idéalistes habités par un indicible besoin d’amour» ? Sabine a cependant noté que, chez le second, le flot de spermatozoïdes n’est jamais follement enclin à prendre le chemin de l’utérus : «Le frétillement de leur queue semble traduire une hésitation ontologique», écrit M.H. dans Extension
"

Com o autor celebrado ausente, a adaptação cinematográfica do seu último romance é tema. Os anfiteatros da Universidade de Amesterdão puderam certificar a extravagância científica e, em paralelo, o fervor erótico mais requintado fomentado pela leitura apaixonada dos textos dos especialistas presentes, oriundos de todas as latitudes. "Num mundo em dissolução, incontrolável, só o corpo permanece resgatável",destaca a investigadora Rita Sandnes, da Uni. de Oslo, numa intervenção intitulada "Corpos, desejo e vitalidade nas Partículas Elementares". E o repórter do Libé frisa sibilino: "Lançando pontes de sexo por cima das ideologias abismadas, Houellebecq permitiu a uma geração, apesar da incerteza de encontrar soluções, a possibilidade de pelo menos usar um olhar menos arruinado sobre o futuro pos-moderno nada encorajador". Num conjunto participativo de cerca de 50 especialistas literários, destaque para a tese de Liza Steiner, da Uni. Marc-Bloch de Estrasburgo, sob o tema grandiloquente, "Da alcova ao sex-shop, a escrita da crise democrática através da confrontação Sade-Houellebecq". "No fundo, o grande corte entre Sade e Houellebecq, foi revelado por Maio 68. Como a excitação depois de Maio 68?

FAR

6 comentários:

ana cristina leonardo disse...

FAR, vais-me desculpar (ou não) mas eu acho esse Houellebecq uma grandessíssima merda (peço desculpa) como escritor (para ser completamante sincera, o homem, pelo que lhe ouvi, também deve ser um pouco pró parvo - mas disso ninguém tem culpa). E, já agora, que raio poderá querer dizer "Num mundo em dissolução, incontrolável, só o corpo permanece resgatável"? Santa paciência!!!!
PS - Acho que vou postar, aproveitando a tua dica, umas críticas que escrevi há uns tempos sobre ele no espesso.

Anónimo disse...

Ana Cristina: Isto não é uma crítica, o que eu montei. Claro.Como há alguns incondicionais do MH, em Portugal, pensei, livre e arbitrariamente, reproduzir este artigo do Libé, de ontem.Tento, dia-a-dia, ler ou imprimir o que de relevante se publica no Mundo editorial...Tenho uns artigos sobre Economia, que jazem numa pilha para segunda leitura...E pertencem ao Wolf-forum do FT, ou à secção do Daniel Altman no IHT, ou ainda ao Monde-Eco.Como dizia o Jorge de Sena, há cerca de 5o anos, a crítica é muito precária. Eu tento aparelhar umas ideias-força e partir para ousar transformar a dura realidade da dominação e exploração. Como é evidente, prezo imenso a sua contestação. E tomo nota para ir ler o que sobre o MH escreveu. Salut! FAR

Anónimo disse...

Ana Cristina: Ainda não postou o artigo sobre o M.Houellebecq. Só sinalizo...O Armando Rocheteau leu umas coisas dele e podia falar sobre isso, se ele estivesse de acordo. Eu li, em transversal, e tenho presentes opiniões mais ou menos abaizadas de amigos de Paris. Que apontavam para o nem sim, nem sopas...De qualquer modo, não existe uma verdade literária e a liberdade criativa/ criadora, mas impessoal, tem todos os direitos... FAR

Anónimo disse...

E não há aqui quem seja capaz de denunciar as ligações entre o dito escriba e Claude Vorillon, gurú da seita dos raëlianos, que anda a preparar a chegada dos extraterrestres, que, segundo ele, criaram a humanidade por intermédio de manipulações genéticas...

ana cristina leonardo disse...

FAR, já está. é sobre Plataforma, tenho de procurar as outras críticas que não sei por onde andam.

Anónimo disse...

Andei a ler agora " Une Vie Divine", de Sollers, onde há ataques indirectos ao " imbecil" niilista.Será para o Houellebecq? No meio de uma fortíssima declaração sobre o " que deve ser a literatura": " Os escritores autênticos são devorados pela culpabilidade, a dúvida, o remorso, a culpa. O tempo é uma imensa clínica "( Pág.228). Leiam, tomem posições e escrevam,sem serem anónimos.Oh, Céus, isso é como viver na Idade da Pedra!!!
Ana Cristina, vou jáler, a esta hora, com um Valpolicello-tinto muito forte, ao lado. Avanti pela Revol. Total .FAR