quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Negri e o "Adeus ao Socialismo" (2)

O livro de Antonio Negri ressalta de uma longa conversa com Raf Valvola Scelsi. São 15 partes de um todo trabalhado pela tentativa de constituição de um novo paradigma sobre a resistência, "resistir para vencer quem nos quer explorar", assinala, já que os conceitos de "resistência e de democracia se legitimam". "O direito à resistência é fundamental, como o é de resto também o direito à desobediência. Isso constituem direitos radicais. É a demanda, a reivindicação, que está na origem do verdadeiro pacifismo. Nisso se coloca/disponibiliza um dispositivo que está na origem da instituição de novos poderes e direitos".

Negri ataca de frente os revisionistas, como Furet e Nolte, que tentam justificar a hipocrisia de um socialismo sem violência ou liberdade."A luta de classes na Rússia representou uma experiência extrema. Isso foi qualquer coisa de monstruoso. Porque consistiu no ataque não só à superstição das religiões, como aos interesses convergentes da propriedade e da ideologia burguesa, foi portanto, qualquer coisa de muito duro".

"Quando falo de corpos, quero sublinhar que uma coerência se coloca entre a argumentação e a troca efectiva de informação, entre o eu e o tu. É desse modo que a iniciativa política se torna efectiva e escapa aos antigos modelos de que a ideia de partido representava a finalidade, da forma: primeiro o movimento, em seguida o partido. O que é que hoje substituiu o partido? Não se vislumbra. Toda a série de tentativas que visavam propor uma nova definição sobre o partido, não resultaram em nada de bom, e observamos que sempre que se quis definir o partido, isso traduziu-se pela formulação de uma tangente em relação aos problemas reais", formula preclaro.

Antonio Negri "Adeus ao Socialismo", Edit. Au Seuil. France 2007

FAR

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