domingo, 4 de novembro de 2007

Canção do Belíssimo Negócio


Da genial "Ópera do Falhado", de JP Simões, que é para mim o Chico Buarque português, dedicada a todos os liberais:

Desde tempos sem memória
edificou-se esta história
através da compra e venda
e roubo por aí.
Já adão disse à serpente
numa reunião urgente,
que queria um sócio
pró negócio das maçãs


No ínicio era um franchising,
com um marketing selvagem,
com uma visão estupenda,
um faro genial:
vender o perdão sagrado,
um para cada pecado,
desde o raspanete
até à pena capital.
Tanta sucursal,
privada e estatal,
todo o universo é de raíz liberal.

E um belo negócio
entre homens de bem
explica-nos por que razão
já Nosso Senhor
morreu por amor
à grande liberalização.

Neste jogo extraordinário,
inventaram-se os salários,
para o empregado não pecar
mais que o patrão.
E apoios, benefícios,
promoções a outros vícios,
contratos a prazo pra dar azo à multidão.
E um corpo de leis,
polícias fiéis,
que salvam os homens de inverter os papéis.

Se o negócio é o passado,
passa o futuro também,
tudo aqui foi comprado
e vamos mais além:
Transacionamos cometas,
estrelas, luas e planetas,
lambretas e espaçonetas
e muito vaivém.
A ciência descobriu já
a combinação perdida:
cedo vai vender a cura
pró vírus da vida.

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