sábado, 24 de novembro de 2007

Negri e o "Adeus ao Socialismo" (1)

Trata-se do mais recente livro do grande pensador italiano. Consiste num ataque mirabolante e complexo aos preconceitos da Esquerda clássica.
A tradução francesa de "Goodbye, Mr Socialism", data da Primavera passada, e foi publicada pela edit. Au Seuil. Négri assinala entre outros pontos axiais da sua argumenação que: 1) O ciclo "agressivo neo-liberal terminou"; 2) O recuo do "Estado-providência é menor"; 3) Assiste-se a uma "recomposição revolucionária das pessoas"; 4) Perspectiva, por encanto, um "comunismo do capital", produto das acções e dos fundos de pensão a sererem desviados...

"O capital não pode sobreviver sem exploração. Os padres e os socialistas acreditaram, desde sempre, que podia existir uma justa medida de exploração. Mas não pode. Isso não existe. Não há lugar nem para uma relação correcta entre o desenvolvimento e o comando descentralizado, nem para um capitalismo equitável e permanente", acentua. Para indicar, em desdobramento: "O socialismo não é outra coisa senão a transformação estatista do capitalismo".

Négri diz que o regime salarial está em crise. "Hoje, penso que é o novo ciclo do trabalho precário, imaterial e cognitivo, que está em vias de se tornar fundamental. Não somente aqui, mas por todo o lado, num interior de um mercado global unificado até à China. Isso constitui a nova forma de trabalho: é o novo terreno de revolta da força de trabalho. è aqui que se tornaa necessário o " desejo comunista ", pontua. E acrescenta: " Os critérios de avaliação da riqueza não dependem mais da lei clássicas do valor e do desenvolvimento industrial, mas de um processo cada vez mais ligado estreitamenteao controlo das populações e das sociedades, portanto aos dispositivos de biopoder".
"A partir do momento em que se começa a passar de uma economia de subsistência a uma economia de excedente, o trabalho cognitivo torna-se cada vez mais fundamental e obtém-se uma produtividade que não se pode avaliar mais. Isso é uma crítica radical da concepção economicista do real", sintetiza.

FAR

2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Cattivo maestro.

Anónimo disse...

Tenho grande curiosidade em ler este livro de Negri (para já o título do livro é uma verdadeira glosa).

Alguns dos eixos, como o tal "comunismo do capital", produto das acções e dos fundos de pensão a serem desviados…para onde não se sabe, constitui uma incógnita para quem ainda não leu.
Um aspecto que me parece inovador, ou talvez não: a avaliação da riqueza centra-se cada vez mais no controle das massas, no biopoder.
Sobre a dificuldade de avaliar o trabalho cognitivo na produção da mais valia – esse conceito da economia marxista que resistirá no tempo, penso eu- aguça mais o apetite para a leitura de Negri e das suas especulações.

Grande maestro? A seguir…