sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Conto

A descoberta que se não consegue tapar com pano nem vontade


Nas desconsiderações acostumadas com o destino, a moça embeiça pela vida no descuido próprio de quem ressabe fundos e quer desposar pelo mistério, um brinde solto, naquela rua que esgueira para o restolho do peito.

Por isso, de crença boquiaberta, deu com pousadas nas baixas mãos aquelas todas juntas palavras, em namoro com o milagre que faz trocar até as escadas de chão e, precipitá-la a ela, no manso acidente que mesmo todos, sonham: a tontura que corta a direito para o céu.

Foi assim, que rescendeu os sentires subidos das páginas no seu colo de vestido com seios, e se infernizou capazmente de doces vontades sem fim de vista. Aquelas palavrandades de cor madura, cozinham nela um feitiço de preto, ficam um beijo grosso num sítio onde não se vê senão, num repente, ternurentos e espumosos mares no sem parar dos olhos.
Saõ essas culposas palavras, que sem motor dentro delas, descabelam os medos nos seus rumores e sopram em chuvas de dentro, desejos de se ser melhor, nos quentes anseios.

Fica só !!- comanda a si mesma.
Onde aquieta ela, o seu palpitante volume apinhado de sensibilidades?
Se não baixo as suas cálidas costelas, então só mesmo no parapeito de dois andares de um coração, tão soba daquela escrita, que lhe engole a existência de hoje em hoje, numa irmã sede.

(Um mimo, ao António Mateus)

1 comentário:

Anónimo disse...

Hello. And Bye.