terça-feira, 20 de novembro de 2007

Do espanto que ainda se vai tendo perante a desonestidade intelectual

É tema recorrente em conversas que tenho com alguns amigos o excessivo destaque que eles entendem que eu dou ao Insurgente: "ajudas a promover os gajos", "andas sempre à volta dos mesmos", etc. Eu costumo replicar que promovidos já eles estão, que um dia destes escrevem nos jornais, que é importante combater as suas ideias, porque são eles que, por mais "revolucionários" que digam ser, são os vencedores do sistema. Contudo, tenho de admitir que começo a duvidar de alguns destes postulados. Dou por mim a pensar se o brilhantismo intelectual que lhes atribuí não foi empolado pelo espalhafato com que apresentam determinadas referências ciêntificas que, confesso, me são algo desconhecidas (a minha área não é a Economia, mas a Filosofia). Mas acima de tudo, desconfio agora da utilidade de entrar em debate com quem utiliza com método primordial o terrorismo intelectual.
Mesmo assim, não resisto (ai a fraqueza humana), a elucidar o "Migas" do seguinte: não é verdade que "um pobre não pode ser liberal porque isso vai contra o seu desejo natural de ter para si o que é de outrém". Nem sequer é verdade que "um pobre não possa ser liberal"; simplesmente, é um facto que, na sua grande maioria, não o são. E não são, não porque desejem "o que é de outrém", mas porque, na imensa sabedoria prática que a vida os obrigou a ter, o que eles desejam é o que é seu, e que lhes é roubado todos os dias: o valor do seu trabalho e a dignidade humana que, muito justamente, julgam ser seu direito.
Também a propósito do título deste blogue que o "Migas" diz que eu "escolhi", só a pura desonestidade intelectual pode ver na referência que contém ao 1984 de Orwell o elogio da "opressão do totalitarismo sobre o indivíduo", e não o contrário. Claro que se o "Migas" se preocupasse em ler o que por aqui se escreve, para lá da sua cegueira ideológica, era capaz de entender o que achamos dos totalitarismos de qualquer espécie, mas isso já era pedir demais. Há coisas que, simplesmente, não podem ser entendidas por determinados interlocutores.
Finalmente, é bem revelador que dos meus dez Aforimos Liberais, o que tenha provocado esta celeuma seja o primeiro: «É natural existirem pessoas mais ricas, e outras mais pobres. O facto de nós, que o dizemos, pertencermos às mais ricas, é uma circunstância da vida que em nada nos afecta a clarividência de o dizer». Esclarecedor. Continuo à espera que os insurgentes me respondam se conhecem algum pobre que seja "liberal". Até lá, encontro-me em reflexão sobre a necessidade e utilidade de dar troco a este tipo de gente.

6 comentários:

Anónimo disse...

André: Com a sua inteligência, os seus dotes de escrita, o menino anda a perder-se. E por que nao voltar a Négri?!? Comprei o livro de ocasiao sobre o Adeus ao Socialismo. Que é uma longa entrevista.E por que nao fazer um fundo para a troca de livros?!? O Financial Times, está sempre a dizer que vivemos numa época de Capitalismo de Estado quase autofágico. FAR

Migas disse...

André,

Num mundo em que a maioria das pessoas não são liberais, o mais natural é que também a maioria dos pobres não o seja. Não conheço muitos pobres, tal como não conheço muitos ricos. Nem tive oportunidade de discutir filosofia política quer com uns quer com outros. Não creio que o meu círculo de conhecimentos seja uma boa amostra para tirar conclusões nessa área, tal como não será o seu círculo.

Parece-me francamente que alguém como o André, que comenta ocasionalmente n'O Insurgente num tom arrogante que trata os seus interlocutores como incapazes de compreender as suas elevadíssimas ideias, é a última pessoa a poder queixar-se de "terrorismo intelectual" quando alguém o trata da mesma forma. Se tivesse tido o trabalho de ler os três textos linkados no post que refere, talvez entendesse o contexto de onde vem a "boca" sobre a visão esquerdista da natureza humana. Seguramente não concordaria, mas ao menos entenderia a outra parte, o que é sempre positivo para se poder opinar. Especialmente se a sua área é, como diz, a filosofia.

De qualquer modo, seria interessante ver que ginástica faria o André para explicar como coisas do género "redistribuição de rendimentos" não se reduzem a "algo que é de outrém". Isto sem usar a estafada, e insustentável, visão marxista de que o superavit da actividade económica é "apropriado indevidamente" pelo "capital".

Relativamente aos seus "aforismos liberais", falando por mim, posso dizer que não aceito um único. O André talvez prefira ter essa visão estereotipada dos liberais. Assim sempre pode referir-se a eles entre aspas. Não vejo, com franqueza, onde está a honestidade intelectual nisso. E face às típicas respostas que vêm da sua boca, também não tenho grande vontade de entrar em debate.

Quanto ao título do seu blogue: Calculo evidentemente que a sua vontade não era associar-se ao regime orwelliano do "big brother". No entanto, esta infeliz escolha é boa demais para eu não aproveitar para uma piada. Ai a fraqueza humana.

Fique bem.

ana cristina leonardo disse...

Atenção a essa categoria "os pobres". Como bem se viu em "Viridiana" os pobres quando lhes dá para serem mauzinhos não hesitam em pôr o chocalho ao pescoço do leproso.
E, para sair da ficção, o Nacional-Socialismo estava cheio de pobres. Creio eu - mas quem sou eu? - que com esse tipo de argumentação é fácil ser batido pelo "Insurgente", sejam lá quem forem as criaturas.
Durante muito tempo viveu-se na ilusão que a direita e a extrema-direita eram um bando de caceteiros com zero de miolos. Ora bem, essa malta pensa. Pensará mal, mas pensa. E, por vezes, até argumenta bem.

André Carapinha disse...

Migas:

Abro um parentesis, e garanto que é apenas este, na minha vontade de não dar troco, e apenas porque este comentário está na caixa de comentários do meu blogue.

1- Eu li os seus textos.

2- A minha visão é precisamente a «visão marxista de que o superavit da actividade económica é "apropriado indevidamente" pelo "capital"», embora não reduza a coisa a um problema moral. Tratam-se das condições últimas do sistema em que vivemos.

3- O "tom arrogante" de que fala é exactamente o que merece o tom leviano que é utilizado pelos insurgentes. Acresce que, como já repetidamente escrevi, os insurgentes são especialistas em adoptar a estratégia da virgem ofendida, enquanto insultam e escarnecem dos que os criticam. Por vezes, reconheço, perco a paciência, que não é uma das minhas maiores virtudes.

4- Quanto ao facto de os "liberais", que merecem as aspas, não serem maioritários, corresponde exactamente a essa visão que os insurgentes têm de si próprios, de que serão uns "radicais", "revolucionários", vivendo num sistema "socialista", quando a lógica e o fito do sistema em que vivemos é precisamente a de cumprir o que os "liberais" defendem. Se não o entendem, ou fingem ignorá-lo por estratégia, isso é para mim um mistério.

Ana Cristina:

Do que se trata é de reintroduzir o discurso de classe contra essa treta do "interesse comum" que nos impingem todos os dias. E o mais curioso é que, como se viu, onde o debate se torna mais dificil aos insurgentes é precisamente quando se o faz. Não imagina as voltas dadas para (não) responder à simples pergunta "conhece algum liberal que seja pobre", até chegar a esta não-resposta do Migas, «Não conheço muitos pobres, tal como não conheço muitos ricos»

FAR:

Cada um de nós escreve sobre o que entende. Nada mais tenho a dizer, tendo até em conta as nossas desavenças passadas, e o facto de agora sermos oficialmente camaradas de blogue.

Anónimo disse...

Caríssimo André: Se eu cometer erros ou dislates, políticos ou teóricos, quero ser criticado em público. Nao quero ter privilégios nem mordomias, de espécie alguma.Acho que o André está de acordo comigo. Por outro lado, o livro do Négri- Good-bye, Mr. Socialisme- é mesmo giro, profundo e enorme: 300 compactas páginas de cerrada argumentacao económica, política e teórica. Vamos ver, se consigo fazer um resumo. Salut! FAR

disse...

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