sábado, 10 de novembro de 2007

La tierra sigue teniendo fiebre

Maiakovski
Escreveu, ainda no início do século XX :
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Bertold Brecht (1898-1956) :
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei.
Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas :
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar...

Claúdio Humberto, 2007
Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

Quase 2008
O termómetro é um instrumento neutro, que serve para aliviar pouco.
As leituras que oferece são mundiais, obedecem a ciclos e são muito objectivas !

1 comentário:

ana cristina leonardo disse...

Um dia, se não tivermos cuidado, vamos morrer todos, não do tabaco, não do aquecimento global, não de obesidade nem de anorexia, não de SIDA nem de fome, mas de claustrofobia