terça-feira, 13 de novembro de 2007

Sumbana deslumbrado


(foto tirada de www.unitedworld-usa.com)

O ministro do Turismo de Moçambique, Fernando Sumbana Júnior, ficou deslumbrado com a “Las Vegas do Oriente”. Sumbana, que se deslocou a Macau para participar num seminário sobre oportunidades de investimento, uma iniciativa estimulada pelo órgão de contacto comercial entre a China e os Palop, desafiou os operadores de casinos a investirem nos três espaços de jogo de Moçambique. Maputo (Polana), Namaacha (Sol Libombos) e Cabo Delgado. Ficou, contudo, a ideia de que a oferta não se resume a estas três ‘licenças’... tão grande é o país e tantos são os grupos que, em conjunto, fizeram com que o pequeno Macau ultrapassasse, em chiffre d’affaires e outros, a mítica Las Vegas, ou Sin City. Como por lá se brinca.

Convite extensivo, presume-se, aos locais, SJM (Stanley Ho) e Galaxy (Hong Kong), aos americanos (Las Vegas Sands, Wynn e MGM; com o Harrah’s à espreita) até à PBL da Austrália.

Subscrevemos sem reservas esta visão do ministro Sumbana. As pobres gaming joints de Moçambique não podem, de facto, concorrer com Sun City- uma criação de Sol Kerzner, o mesmo das Bahamas, e que, por acaso, foi um dos perdedores na abertura do Jogo em Macau. Para disputar o terreno a Sun City é necessário partir para outro patamar, com o conforto, inclusive, de saber que a indústria do jogo nas imediações é muito rudimentar. Tanto na Maurícia, como nas Comores, nas Seychelles, no Lesotho ou mesmo no Hilton de Antananarivo, os casinos são meros complementos, amenities, e não um negócio em si. No modelo desenvolvido desta indústria a lógica é precisamente a inversa. O core business é o jogo.

É verdade que em Moçambique sobejam problemas e poderá parecer ofensivo apostar em Jogos de Fortuna ou Azar- aquele que é o seu descritivo técnico. Mas não é menos verdade que há muito os governos jogam com a paciência e as legítimas expectativas da população. Diria melhor, a parte Azar está amplamente saciada. Eis a Fortuna fácil. De moral duvidosa?

Pois, estava Cristo pregado na cruz e os soldados romanos como matavam o turno de guarda? Jogavam aos dados.

Além disso, este sector de actividade consome grandes contingentes de trabalhadores, notadamente, na segurança e vigilância. Uma óptima oportunidade para bufos desempregados, ex-quadros da SNASP e filhos da puta de diversa proveniência.

Portanto, é preciso aproveitar em todas as latitudes estas pequenas oportunidades, enquanto as alterações climáticas não lixam o grande recurso da Pérola do Índico. Um dia destes os frangos começam a nascer assados, então, sim, será tempo para alarme e para o senhor Al Gore.


JSP

2 comentários:

zemari@ disse...

Além das apontadas, há outras especificidades que tornaram Macau na Las Vegas do Oriente.
Uma é o acordo tácito, bem antigo, com Hong Kong: estes não abrem casinos e aqueles não organizam corridas de cavalos à séria.

Outra é a experiência acumulada, sobretudo desde meados do século passado, pelas máfias, as célebres tríades, que controlam tudo e todos: da prostituição – vinda, sobretudo, da Tailândia e das Filipinas – aos prestamistas e outros meios de empréstimos – enquanto a família não pagar não te devolvem os documentos para saíres do território.
E são mestres na lavagem de dinheiro.

Terceira (ou primeira) enquanto os outros povos, sobretudo os Ocidentais, se divertem indo à pesca, à caça, jogando ténis ou ficando apenas na cavaqueira, os chineses jogam, jogam e só jogam.
Não é anedota: que fazem dois chineses numa esquina? Apostam se o próximo carro tem matrícula par ou ímpar.

É por isso, pelo menos, que o jogo traz fortuna a Macau (à China) e “azar” noutros sítios que apostam forte e feio no negócio.

Mas o venerando JSP – grande mandarim – pode acrescentar muito mais. Porém, como ficou ainda mais “mula” que os chineses, é capaz de ficar calado e esboçar apenas um sorriso trocista…

zemari@ disse...

Ó JSP, só agora é que reparei que o "post" era teu...
O que vale é que já me conheces.
Um abraçoaço.