domingo, 9 de abril de 2006

ASSASSINOS

Nestes últimos anos apareceu uma nova classe social, os fumadores passivos, que subitamente descobriu que anda a ser bárbara e friamente assassinada pelos fumadores activos. Esta novidade, como todas as que fazem o mundo pular e avançar, nasceu nos Estados Unidos, onde rapidamente se impôs. A Europa, sempre renitente ao progresso, demorou a aceitar esta realidade. Pé ante pé, as sofredoras vítimas europeias foram ganhando espaço, até conseguirem ter voz nos media e na sociedade abstémia de nicotina. De repente, viúvas que sempre conviveram com defuntos fumadores em paz e harmonia, com a única queixa de serem obrigadas a lavar as cortinas com mais frequência, descobriram que afinal estiveram casadas com frios assassinos, e deixam no ar a suspeita que, se não fosse este convívio, não morreriam aos 90 anos, mas teriam a vida eterna garantida. A Irlanda, a Itália, o Reino Unido, a Espanha comovidas com tão silencioso sofrimento lá adoptaram medidas, umas mais vigorosas que outras, para defenderem as suas vítimas. Agora chega a vez de Portugal. A acreditar no que se lê, do cérebro sempre fervilhante do Dr. Correia de Campos sairá legislação que confinará os fumadores à rua e ao lar. Esta magnanimidade da legislação deve ser usufruída, enquanto é tempo. Virá o dia, em que a técnica de trabalhos domésticos se queixará das condições sub humanas de trabalho, intoxicada pelo fumo mortal da entidade patronal. Qualquer Tribunal de Trabalho aceitará a queixa e sentenciará pesada indemnização por danos irremediavelmente sofridos. Nessa altura só será possível fumar nas salas de chuto, que o ministro da Saúde fará proliferar por todo o território, usando os impostos dos assassinos, os fumadores.

MALOUD

9 comentários:

Anónimo disse...

pela liberdade do peido em recinto fechado!

Anónimo disse...

Grande Maloud :Iconoclasta, libérrima e defensora dos seus direitos. Eu deixei de ser fumador. Mas sei de histórias de grandes fumadores. Um deles, parece-me, era o gigante- entre- os- -gigantes de todos os séculos, Tolstoi, que fumava que nem um desalmado. Em Portugal, houve casos de grandes e inveterados fumadores... na província. Porque um bom cigarro- a mistura(blend)de melhor qualidade é holandesa, e a boa comida da província " puxa " por um cigarro/ charuto... Eu aprendi a enrolar à mao, depois de ter diversos tipos de maquinetas... Em 1976, no auge da crise do Tabaco, cheguei a ir à tabacaria do Sheraton(Lx.a) comprar tabaco americano e francês a precos proibitivos.Sempre me meteu impressao ,como é que o dr. Mário Soares só fumava 2/3 cigarros por dia. Bom artigo, bons sentimentos: Avanti!. FAR

Anónimo disse...

Depois da siesta, lá vem a proibição do fumo. O vinho do jarro, já teve os seus tempos.
Enfim, a sociedade caminha para o branqueamento total, sem mácula.

Tão bom vier aqui!

Anónimo disse...

Como são um país de " single issues", já está a aparecer o dos PERFUMES. Este incoda-me,aqui porque copiamos tudo, não me deixa concentrar, excitar-me sexualmente, tenho asma, e mais não sei, o aroma é sintético não natural. Eu, por precaução, já não uso after-shave mas sim alcool inodoro até á descida do elevador.

Barba Rija disse...

...e eu nunca tive pachorra para cafés sociais cheios de fumarada social, lágrimas dos olhos e tosses sociais. Se para ter amigos é preciso ser politicamente incorrecto e aturar tanta socialidade...

...Badamerda a todos!

cumprimentos (sem fumo)

Anónimo disse...

eu por acaso não gosto muito de levar com o fumo dos outros. mas.

Anónimo disse...

eu por acaso não fumo, MAS já estou com vontade de o começar a fazer...
tanta ordem e proibição por aí e eu a ficar com apetite para todos os vícios!

Anónimo disse...

Acho que as pessoas deveriam começar a fumar mais charros.
É que sempre se fuma menos. Isto é científico.
Bebe-se é mais, mas não se pode ter tudo...

Jon

Anónimo disse...

“Valores e Tabagismo: O Recontexto do Desvio”
Sebastião Amoêdo de Barros
Universidade Federal do Rio de Janeiro
1996

Dedicatória: “À memória de meu pai: ‘suicidado’ pelo fumo.”
P. - Quer dizer então que proibir o fumo não
melhora a qualidade do ar em recintos fechados?
R. - "Proibir o fumo não melhora a qualidade
do ar em ambientes fechados. A eliminação
da fumaça do cigarro serve apenas para mascarar
a impureza e a falta de filtração do ar".
P - Podemos afirmar, então, que o fumo não
faz mal à saúde?
R - "O fumo pode ser considerado apenas um
fator de risco, como muito outros, para determinadas
doenças. A literatura médica, por
exemplo, lista mais de 300 fatores de risco só
para doenças cardiovasculares"

(tirado da net)