quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Telegramas

Antigo correspondente do NY Times no Médio Oriente pessimista - Chris Hedges, que foi durante sete anos, o grande correspondente permanente do NYT em todo o Médio Oriente, não esconde o seu pessimismo face ao estilo da política belicista imposta por GW Bush. Tem receio de que, sem motivos palpáveis, aja uma intervenção maciça dos EUA/ Israel contra os 1200 sítios estratégicos (mas não atómicos) iranianos. O grande jornalista protesta contra a falta de cultura, empatia e inteligência do corpo central das embaixadas americanas espalhadas pelo Próximo Oriente. "A próxima, limitada e pequena guerra contra o Irão, com poucos Democratas a oporem-se, pode ter o potencial de incendiar um inferno regional", frisa.

Japão: Sem garagem não se pode ter carro - Eu sempre disse que o nosso PM, José Sócrates, se devia ter inspirado mais com o Japão. Por todas as razões. Algumas delas seculares e pelas dietas semelhantes no uso enorme do peixe e crustáceos na alimentação quotidiana. Ora, se o Le Monde tinha um grande correspondente há anos em Tokyo, Philippe Pons, agora arranjou-lhe um substituto, Philippe Lemaitre, que já está a dar cartas. Justamente sobre o mundo automóvel. Toda a gente sabe, que os nipónicos estão em vias de destronarem a General Motors da liderança mundial de construtores. E será a Toyota a liderar, mais mês menos mês. O estímulo da produção nacional é enorme, portanto. E as regras num conjunto tão apertado de uso, são draconianas. Só se pode comprar carro, se tiver garagem própria ou alugada. É imperativo. Nas cidades só pode estacionar em parkings. Cada vez mais caros à medida que se situam no centro das urbes, média de 2 euros por 15 minutos. O preço da gasolina ronda os 88 cêntimos. De dois em dois anos, os carros devem ir a um controlo total. Todo o carro acidentado é abatido. Viaturas estrangeiras caíram quase 50 por cento nas importações. Eu gosto muito dosToyota, os land-rovers da montanha...

Bélgica: Constitucionalista explica "vazio de poder" com cerca de 90 longos dias - Jean-Claude Scholsem explicou ao Liberation o porquê da longa e arrastada crise política que agita a Bélgica. Diz, em primeiro lugar, que de certa forma as "crises " políticas são " congénitas ao desenvolvimento " do país. E não considera que o viver em conjunto dos Flamengos e dos Wallons, se "encontre realmente condenado". " De facto, as duas partes possuem perfis psicológicos extraordinariamente diferentes. Os flamengos são reivindicativos, querem mais autonomia e os francófonos encontram-se numa péssima postura psicológica porque, no fundo, foram eles que fundaram o Estado belga em 1830. Sobretudo a sua situação económica é menos brilhante". E vai mais longe a crítica do professor de Direito Constitucional em Liège: "Os partidos estão blindados e prometeram mundos e fundos. Os médias e mesmo as Universidades também patinham no isolacionismo e divisionismo. Há cada vez menos contactos entre as elites das duas comunidades linguísticas de base. O que é extremamente perigoso".

Paquistão: USA favorece acordo Bhutto/Musharaf - Quem estiver atento ao que se passa de profundo nos Golfos Pérsico e no Indico, não pode deixar de estranhar na escalada da desagregação que envenena o poder político militar em Carachi, sob o comando unificado do general Musharaf e seus colegas. As razões eleitoralistas perseguidas pelo ditador militar pago e equipado por Washington, obrigaram-no a tecer laços inconfessáveis com as tribos das fronteiras dos confins do Afeganistão, onde a permeabilidade e oportunismo dão origem a todas as recriminações das potências credoras , USA e Inglaterra à cabeça. Parece que Musharaf acolheu no ISI, serviços secretos, os assassinos do jornalista americano David Pearl. Uma tômbola legislativa deve ser realizada, sob a pressão dos USA, para permitir o regresso do exílio da senhora Benazir Bhutto e do seu rival, Nawaz Sharif, ambos acusados de desvios astronómicos de somas durante os seus mandatos como chefes de governo.

FAR

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Quais japoneses? Nós estamos muito mais avançados. Há muitos anos que o Quim Barreiros mete o carro na garagem da vizinha.