quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Jean-François Bizot, a morte de um deus ex-maquina do novo Jornalismo

De 1968 até ontem, Bizot (1944/2007) foi um dos mais iconoclastas dos criativos e exigentes patrões de Imprensa franceses. Após a licenciatura em Engenharia, Bizot vai para a redacção do L´Express e aprende tudo com Servan-Schreiber e Françoise Giroud, indo depois assistir ao fim do "Maio 67" nos USA...Regressou para fundar o "Actuel", bíblia mítica dos anos 80.

Jean-François Bizot era um dos monstros sagrados - a par de Serge July, de Ph.Sollers, de Bernard-Henri Lévy - do espaço mediático parisiense. Aplicou bem a herança enorme do seu avô italiano, comprou um castelo nos arrabaldes de Paris e trabalhou com audácia e charme os princípios da NovaExpress caros aos corifeus nova-iorquinos do NY Times e da New Yorker. Antecipou, de forma peremptória, o fulgor da Rolling Stone anglo-americana e seguiu como um escravo do prazer, como o contam os seus dilectos amigos Mercadet e Burnier, clicar aqui, os diktats da escrita e do pensamento mais radicais. Esteve em todas: na descoberta das novas drogas na Indonésia ou em Goa, em reportagens inéditas nos bidonvilles musicais de Kinshasa ou Lima...Alugou barcos para emitir progrmas subversivos para a China, aquando do massacre da praça Tien An Men...Escreveu dois romances autobiográficos de excepção e uma série de obras sobre o novo Jornalismo.

O artigo do Libération começa assim:

« Citizen Bizot, mort à 126 ans

Jean-François Bizot nous a quittés à l’âge de 126 ans. Vivre jour et nuit pendant 63 ans, le compte y est. 126, c’est un bon âge pour mourir.
La nuit, il adorait. Vivre la nuit, c’est d’emblée vivre en marge. Quand la ville dort, quand tout semble permis, tout est possible, le cosmos grand ouvert. Avaler d’énormes sandwiches au saucisson, descendre la vodka, se blanchir le nez, inhaler à donf, criser de rire avec ses potes collaborateurs, prendre la tête à l’infini, réveiller des gens au téléphone et pisser vingt-cinq feuillets à la chaîne. Baiser aussi ? Non, l’amour attendait l’aube, au sortir du bouclage. On ne peut pas tout faire en même temps, même lui. Encore que… Avec un peu d’organisation, des adoratrices en espoir, entre deux maquettes d’articles à changer, de 2 heures à 3 heures du matin, bien des choses sont possibles.
Citizen Kane dans son château
La nuit. On recevait un coup de fil : «Quoi ? ! Tu dors ? Mais il est minuit…» Puis, vers une plombe et demie du mat : «Bon, on descend manger un morceau et on gratte vite fait la série des douze portraits, comme ça ce sera fait, tu vois ce que je veux dire ?» S’il y avait un truc que Bizot détestait, c’était faire comme tout le monde. Bizot, le Citizen Kane de la presse underground. Plusieurs de ses amis sont devenus grâce à lui des fans absolus de Citizen Kane, le film. On peut le visionner sans arrêt et y revoir Jean-François si beau dans son miroir
. »
Léon Mercadet et Patrice Van Eersel, journalistes à Actuel.


FAR

8 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Un con est mort. Vive le con.

Anónimo disse...

Mister TP. Por favor, deixe-se desses massacres inoperantes de lugares-comuns. VExcia tem um certo valor e não precisa de descer tão baixo.Por favor, o seu pretenso miserabilismo não colhe: Bizot foi, tão simplesmente, genial e fora-de-série, a nível mundial. E detestava o poder,os poderosos e os mal intencionados.Percebido? Salut! FAR

Táxi Pluvioso disse...

Por isso é que o mundo está preparado para o próximo con. Como os reis...

Pela munha parte fiz voto de pobreza intelectual e não puxo nenhuma carroça, nem me fascino com pedras brilhante ou calhaus opacos.

Anónimo disse...

Mister TP: Não me diga que não consegue entender que precisa de alterar esse hiper-realismo demasiado circunscrito aos fantasmas da linguagem e da ideologia dominante? Ou será que Orwell e Swift, por exemplo, para não falar de Carver ou Bukowski, não nos disseram para tentar escrever dizendo mal mas, e aqui é que está o cerne da imensa questão, de uma forma absoluta e a rasar a violência da história e da literatura? Salut! FAR

Táxi Pluvioso disse...

FAR está muito enganado. Eu não digo mal de nada. Antes pelo contrário, enalteço para cima dos píncaros. Para um sítio onde as coisas (e loisas) humanas nunca foram antes enaltecidas.

Por exemplo defendo Scolari como um farol da nação. E canto a gesta de todos os outros heróis portugueses.

Quanto à literatura não sei o que é. Só conheço a Glock como meio de expressão.

Anónimo disse...

Mister Táxi: Acho que concorda, portanto, com a imensa e inoxidável estatura política-artística e intelectual de J-F-Bizot?!? Foi verdadeiramente um gigante entre os gigantes, audacioso, maquiavélico( gostava muito de o ler...); e, sobretudo, um amigo do seu amigo, como se deve ser: exigente, fraterno, cumpridor e partilhador- da imensa fortuna bem aplicada e das copines enfeitiçadas pelo genial engenheiro e economista - que se transformou no mais iconoclasta dos Jornalistas franceses do séc. XX!!! Salut! FAR

Táxi Pluvioso disse...

Fancamente não conheço porque não leio jornais. Mas se era rico e usou bem a fortuna deve ser boa pessoa.

Sobre boas pessoas e bons acontecimentos, aqui estão algumas declarações de António Sérgio, a quem cancelaram o programa, A Hora do Lobo, porque a rádio e os canais de TV musicais assassinaram a música. E depois admiram-se pela pirataria:

"Foi-me comunicado pouco depois de vir de férias, pelo director de Programas da [Rádio] Comercial, Pedro Ribeiro, que não fazia parte da nova grelha de programas", afirmou António Sérgio.

Segundo acrescentou, a explicação avançada pelo director foi que a Rádio Comercial "passava a estar toda formatada", o que significa que "deixa de haver espaço para programas em que é o próprio autor que escolhe a música que passa".

Anónimo disse...

Mister T.P.: O Bizot era contra todos os enlatados, conteúdos formatados e pregravados; e proporcionou, de forma livre e libertária,a disseminação plena de estilo e profundidade do discurso em directo e sem rede.Ciao! FAR