sábado, 22 de setembro de 2007

Biografia gigante de Deleuze e Guattari

Acaba de sair em Paris, Éditions La Découverte, a primeira Biografia Cruzada sobre os dois pensadores-farol de Maio 68. François Dosse elaborou um trabalho piramidal e de rara profundidade. Não esconde nenhuma realidade política e intelectual dos dois sátiros de alta voltagem do establishment parisiense, Muitas histórias e sobretudo uma fabulosa arqueologia do pensamento radical. Sabe-se como Deleuze se fascinou pelo agir de Sartre como filósofo, e também da paixão pela filosofia deEspinosa, Nietzsche, etc. E como veio a defender a Al Fath, ou o Gip de Foucault e Mauriac Filho... Guattari veio da mouvance comunista e ultrapassou a Psicanálise institucional por contágio radical com Laing, Cooper e os esquerdistas "normaliens" que acreditaram na nova leitura de Freud realizada por Lacan e seus colaboradores. Dosse "mergulha" e revela-nos em espiral a "maceração" dos conceitos. E como se sabe, um conceito é uma arma contra a laracha e a obscena anedota trabalhada pela ideologia dominante. Tudo leva a crer, convenhamos, que se trata de um dos grandes acontecimentos literários da rentrée francesa deste ano.


FAR

5 comentários:

Anónimo disse...

Este texto foi uma verdadeira odisseia: a prova da sua expressão e envio. Tenho o PC com uma ligeira avaria e não fornece ligação à Internete. A notícia era de Quinta-Feira,20. E era muito importante, claro. Fui tentar de uma loja Internete. A hospedeira disse que tudo estava bem. O que era mentira. O Armando dizia que não recebeu.A hospedeira realizou um falso alarme. Ontem repeti de uma outra loja: evitando enviar do posto colocado(s) na rua.
Deleuze era um fanático do pensamento de Espinoza, Nietzsche e Bergson, pelo menos. Como tinha que escrever à pressa, as emendas do original nao foram feitas. O sentido essencial está lá, contudo. Foram três tentativas: dada a urgência e importância da notícia. Um verdadeiro acontecimento. Avanti. FAR

Abranhos disse...

Estes gajos são chatérimos. Acerca do Bergson, valeria a pena ler, reler e publicar a lamentável carta que ele dirigiu ao Albert Einstein, criticando a teoria da relatividade. Mas, na altura, os filósofos ainda se davam ao trabalho de acompanhar, na medida do possível, o avanço das ciências; e os cientistas procuravam vulgarizar, também na medida do possível, as suas descobertas. Hoje em dia, os homens/mulheres ditos de cultura ou do pensamento pouco mais fazem do que cultivar o umbiguismo, manifestando profundo desprezo pela aventura científica e pelo conhecimento objectivo.

André Carapinha disse...

Abranhos: Olhe que não, olhe que não...

André Carapinha disse...

By the way: a obra imprescindível de Deleuze, a solo e com Guattari, desmente todo esse tipo de banalidades como a descrita acima pelo comentador Abranhos. Aliás, entender a Filosofia como algo que per si se deva inter-relacionar com isso do "pensamento cientifico" só pode significar não perceber patavina do que é a Filosofia. A este respeito, Deleuze é exemplar: acima de tudo, é um criador. Um criador de conceitos. O caro comentador Abranhos, que posso admitir que represente uma infeliz corrente de opinião agora dominante (isto se não for, afinal, mais um daqueles que reage a qualquer coisa de novo com as banalidades do costume), talvez pudesse ver na Filosofia algo de diferente do espírito objectivista a que se habituou. Quem é que lhe enfiou esse barrete de que a Filosofia é "objectivista"? Muito humildemente, se há um tipo de pensamento que não se pode nem deve catalogar assim há uns bons tempos é esse.

Não querendo correr o risco de mimetizar o camarada FAR, tenho mesmo de o aconselhar a ler mais.

Anónimo disse...

hihiiiii... 1x0 para Carapinha!