quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Liberdade

El Cigarrito

“Voy hacerme un cigarrito
acaso tengo tabaco
si no tengo de onde saco?
Lo más cierto es que no pito.”
Victor Jara

Nestes tempos ‘very clean’, nos quais todos se preocupam com o meu bem-estar e de todos os que me rodeiam, vai um furor na campanha contra um dos prazeres que até o próprio Salazar quis, ‘in illo tempore’, taxar. Pôr uma taxa no uso do isqueiro. Não proibir, esclareça-se, que ele era mais de tolerar certas coisas que de as interditar, embora não apreciasse muito a Liberdade...

Tolerância – aceitar o Outro, «atitude que consiste em deixar aos outros a liberdade de exprimirem opiniões que julgamos falsas e de viverem em conformidade com tais opiniões.». E assim deveria ser esta Europa.
Por que é assim que este continente viveu?
Não. É mentira. A Europa foi intolerante o tempo todo.
Tentou impor a sua verdade a toda a parte onde chegou.
Deformou.
E mantém-se nesta senda.

A tolerância é uma mentira muito bem vendida.
A malta que se diz da Esquerda e que até pensa e tudo o resto, cala-se bem caladinha. Tem, até, uma visão longínqua da Liberdade. Não é nada, mas mesmo nada tolerante. Esqueceu-se da Liberdade.
Parece-se cada vez mais com os ‘pilgrims’ que chegaram ao Novo Mundo e se sentem no direito de impor as suas verdades, as suas leis. Daí nasceu aquilo que agora se chama Estados Unidos da América e agora se tenta reproduzir numa coisa chamada União Europeia.
Ando mesmo preocupado. Em Paris deixaram-me mais ou menos fumar, em Dublin nem por isso e acho que em Oslo a coisa é mesmo muito complicada.

O que mais receio é fazer uma embarcação para fugir com mais uns quantos rumo a não sei onde e exigirem-me uma declaração de prazeres...

Quais são os prazeres que me restam?

Inventario à pressa: e fico lixado, quase todos acabam em –ina.
Não há qualquer esperança para mim neste país onde vejo grassar e tolerar coisas que acabam quase sempre em –ância: ganância, ignorância, intolerância.

O meu inventário deixa-me em ânsias.

Ocorre-me agora o sexo.

Parece cada vez mais perigoso.

Quanto a isso, não escrevo mais nada.

«Ay, ay, ay, un cigarrito...»
Puta de Europa esta que, de repente e sem avisar, se resolveu tornar a Madre do Puritanismo e se esquece cada vez mais da Liberdade.

O charuto de Groucho Marx não me é permitido, nem o cigarro de Bogart e nem me atrevo a atacar o cachimbo de Maigret.

A Europa enlouqueceu. É uma Polónia desgovernada por um par de Humpty - Dumpties.

Ficamos decerto mais cinzentos.

Um casal disfuncional de sexagenários no Sul de Espanha.
Que procuram eles? Nada.
O que se lhes oferece para o tempo que lhes resta de vida é apenas uma Polónia de novo nazificada. Um lugar cheio de restrições, prescrições e recomendações.

Passámos, de novo, a ser todos Judeus e condenados a um holocausto.

Onde é que está a Liberdade?

E é disso que falamos de 1789 até estes dias.
A Liberdade.

1 comentário:

Benamor disse...

Que ânsia.