quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Comportamento desviante

Hoje, tive um comportamento desviante. Uma coisa gritante, mesmo fora da norma, do socialmente aceite.
Enquanto os alunos de primeiro ano, pessoas com 18 anos no mínimo, cantavam, devidamente pintados de figuras de desenhos animados (perdoem-me se não consegui fixar bem): Monstro das bolachas, enfia uma bolacha na racha e vem-te a pensar em mim!
Os outros, orquestrados pelos meus sábios colegas (que para o ano vão ser médicos), ripostavam: Pikatchu és um gay total! (a praxe tem esta componente fantástica e moderna: passou para a homofobia, ultrapassando o sexismo básico).
Eu e mais alguns não colaborámos. Ouvi bocas. Vens para aqui distribuir panfletos, mas não colaboras na recepção aos caloiros. Ser diferente é isto, é ouvir bocas dos normais. Os normais, que não fazem ideia do que é o Regulamento Jurídico para as Insituições do Ensino Superior. O mesmo regulamento que pode vir a privatizar o Ensino Superior e a fazer com que os alunos que eles tão educada e altruisticamente recebem possam vir a ter de pagar um montante exorbitante pelo sua educação. Quiçá, até pedir a um empréstimo. Mas, caramba, eu não me preocupei com eles, nem sabia as músicas, não pintei ninguém. Uma peça fora do baralho.
É um bocado surrealista, mas nem tudo é ironia no que escrevi. Fui mesmo posto de parte. Grande parte do meu ano (inclusive pessoas com quem me dou bem) ficou lixada comigo por sentirem que ali estava eu, de panfletos na mão, a interromper uma coisa importante, para o qual todos trabalharam. Todos. Todos os que não foram à manifestação contra o RJIES. Todos os que não levantaram um dedo para terem direito a Regulamento Interno (o que nos permite ter acesso a revisão de exames e afins). Os anormais são os dos panfletos. Mania que são bons e intelectuais. Mania que são diferentes.
Foi entediante, depois ponho aqui videos do circo.

2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Ontem estive na baixa e encontrei chusmas de alunos nessa bela cerimónia da praxe (prache, para ser moderno e não saber português).

Os de geologia baptizavam os caloiros com água das fontes do Rossio. (Imagine-se que geologia seja um curso). Em frente da FNAC encontrei outro curso que gritava palavras de ordem que um "chefe de orquestra" lhes tinha ensinado e puxava por eles como se fosse um trabalhador orgulhoso do seu trabalho. Disse-lhes "pela vossa figura vocês são idiotas no primeiro ano, serão idiotas quando acabarem o curso, iguais aos seres superiores que vos estão a praxar".

Por isso sou a favor que todo o ensino seja privatizado e que as propinas sejam aumentadas em + de 1000% para que a idiotice seja gozada com o dinheiro dos papás e não do contribuinte. Não têm pai? Podem chamar pai ao banco! O Ulrich e o Jardim agradecem e dão AMOR igualzinho ao papá da certidão de nascimento.

Filipe Castro disse...

Não se consegue ganhar contra esta massa informe, que não sabe nada, não percebe nada e não quer ser incomodada com coisas complicadas.