quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Da Capital do Império

Olá,

Hoje escrevo-vos mais rapidamente do que o costume porque como o Kouchner está por estas bandas aumentou a legitimidade da pergunta de um dos leitores da minha última carta que queria saber se eu sei quando é que os Estados Unidos vão atacar o Irão.
Isto porque como vocês sabem foi o Kouchner que recentemente causou palpitações através do mundo quando disse que com o Irão a escolha é simples: Ou sim ou sopapos. Presumo que o o Kouchner veio aqui para discutir, entre outras coisas a possibilidade de ter que se escolher a segunda opção.
O irónico de tudo isto é que desta vez teve que ser Washington a dizer que não, não é bem assim, não só mas também etc.
Mas, para responder directamente à pergunta do amigo que queria saber se os EUA vão ou não bombardear os ayatollahs a resposta é simples: não sei e não creio que neste momento haja alguém que saiba porque tal a decisão (ainda?) não foi tomada.
O que sei é que o Pentágono tem planos prontos. Não porque tenha alguma garganta funda dentro do referido edifício mas sim porque as autoridades militares americanas já o confirmaram há vários meses afirmando que o Pentágono tem planos para “eventualidades” em várias partes do mundo pois… homem prevenido vale por dois e ao fim e ao cabo é para isso que se paga aqueles generais todos
Mas o que eu vos posso dizer é que se houver um ataque ao Irão não esperem uma operação cirúrgica, tipo ataque israelita ao complexo nuclear do Saddam Hussein ou tipo recente ataque ao armazém de armas norte-coreanas acabadas de chegar num navio com a bandeira falsa da Coreia do Sul (O querido líder tem lata!) ao país do Jovem Assad.
O que se pode esperar em caso de ataque ao Irão é isto: Pelo menos 30 dias de bombardeamentos como nunca foram vistos anteriormente. Isto porque seria loucura bombardear os complexos nucleares e depois esperar que os ayatollahs virassem pacifistas e começassem a cantar Grândola Vila Morena terra da fraternidade e propusessem a paz universal.
Assim serão precisos muitos dias para atacar e destruir não só os referidos complexos nucleares (espalhados pelo pais) mas também todos os centros de comando, comunicações, posições de radar, bases aéreas, bases navais e complexos importantes da Guarda Revolucionaria e exercito
Esses bombardeamento usariam (usarão?) todo o tipo de mísseis vistos e não vistos, B-52, B-1 e ainda o possível uso de forças especiais pelo deserto adentro para levar a cabo algumas operações cirúrgicas.
Mas a pergunta que importa fazer ao Kouchner e aos Yankees é esta: E depois de se arrasar o Irão em um mês ou se for necessário destruir totalmente o pais em 35 dias o que fazer?
O que fazer quando os tipos de pneu de lambreta na cabeça no Líbano começarem a disparar Katyushas e outras coisas sobre Israel? Ou quando os tipos de pneu de lambreta na cabeça do Iraque começarem uma ofensiva no sul e Bagdad? Trazer de volta a Guarda Republicana do Saddam? O que fazer com o Irão destruído? Ocupá-lo? Com que tropas? Francesas?
O Iraque ensina que se os Estados Unidos têm hoje a força e os meios para derrotar qualquer força numa guerra convencional não têm a capacidade para ocupar e construir um pais. Essa capacidade acabou no Japão e Alemanha no final da segunda guerra mundial. Poderiam repetir isso mas não há vontade política para tal. Hoje os Estados Unidos têm no Iraque tantos homens como Portugal tinha no auge da guerra colonial em África e não têm capacidade nem a vontade para os manter lá por tempo indefinido.
O que levanta certas perguntas. Como aquelas sobre o Irão. O que leva também àquela frase do Napoleão que todos deviam aprender na primeira aula de estratégia militar e que espero o Kouchner conheça: “Se se decidir tomar Viena então é preciso ocupar Viena”.

Abraços,
Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

4 comentários:

Benamor disse...

Já os Romanos se viram Gregos com os Persas.
Foram só 7 séculos de guerras.
Será que Dick Cheney ('The Man') é uma reencarnação do macedónio Alexandre.
Devíamos perguntar ao Dalai Lama, porque se for estamos safos.

Táxi Pluvioso disse...

Ataca-se o Irão com a nossa GNR. Como vivemos um bom momento da História são torresmos contados. Eles já tiveram no Iraque e iam ganhando a guerra single handed (a irmã da canhota, claro). Depois faz-se um Timor...

Onde se vê a capacidade dos ianques para construir países é na Libéria e não no Japão ou na Alemanha (ou toda a Europa como eles gostam de dizer).

Anónimo disse...

O verbo está mal aplicado. Japão, Europa, etc, foi reconstruir; a Libéria é mais uma ficção africana, ainda por cima muito mal inventada. Mas também há ficções e invenções europeias,( os EUA não têm o exclusivo nessa área, e para não falar nas "africo-europeias"), que vingaram, como Israel, mas os efeitos estão a ser devastadores. Gostei do Dalai Lama, quando por tudo e por nada se ria, e chamava ás outras religiões ou confissões de "tradições"!!! A dele lava mais branco, com certeza !

Anónimo disse...

Os EUA não podem atacar o Irão. Por razões óbvias. O judeu Kouchner, ex-esquerdista e ainda socialista,está a jogar para a galeria e a conectar-se com algum lobby judaico. Esta maltinha é terrível. Se mo permite, este texto do JSR tem uma excelente factura, o que nos dá força para vencer todas as avarias e chaladices. Avanti, JSR!!! FAR