sábado, 8 de setembro de 2007

Irão: Guardas da Revolução conservam hard-liners

Hashemi Rafsanjani alcançou liderança no Conselho de Sábios mas Ayatollah Khamenei mantém grande apoio ao Pr., Ahmadinejad, apesar de sinais inquietantes de crise económica e política.

Ninguém sabe como se irá processar a sucessão misteriosa do actual líder supremo e, no curto prazo, de que modo se irão constituir as listas para as eleições legislativas. Agora que os dados surgem ainda mais contraditórios e amalgamados pela eleição espectacular do principal adversário do número dois da hierarquia iraniana, o liberal Rafsanjani. E onde a única coisa certa é o poder discricionário do actual Pr. continuar a ter a caução dos Guardas da Revolução e dos bandos paramilitares Basij. E do líder Supremo. Ahmadinejad tem mesmo explorado o radicalismo militarista dos seus apoiantes e multiplicado purgas e razias contra os meios da oposição iraniana no interior., numa prova abusiva de força.

O descontrolo da economia é um dado adquirido: a resignação do Governador do Banco Central e dos ministros do Petróleo e da Indústria agravam os sinais de crise. A inflação parece incontrolável e os investidores preferem jogar pelo seguro e arriscar especulativamente no imobiliário. 60 biliões de dólares foram gastos pelo Estado iraniano em compras de bens essenciais ao estrangeiro, nos últimos dois anos.

Rafsanjani lidera a face visível da alternativa liberal do poder iraniano contra a deriva militarista e populista incarnada por Ahmadinejad. Dirige o Conselho de Intendência Geral também. Os seus críticos acusam-no de ter enriquecido no Import-Export, juntamente com os seus filhos. Tem visto os seus aliados serem presos e marginalizados: o último foi o antigo negociador político com a AIEA, o corajoso Hossein Mousavian, acusado de espionagem ao serviço de uma potência estrangeira. Segundo indica o enviado especial do NY Times a Teerão, Rafsanjani só pode contar com os seus mais directos apoiantes e Khamenei não parece querer " mexer uma palha por ele", pois teme-o e considera-o um " concorrente ". Por conseguinte, Ahmadinejad só pode perder se a crise económica se agravar de forma caótica.

No cerrado puzzle de grandes manobras geopolíticas em acto no Médio Oriente e no Golfo Pérsico destaca-se o papel cada vez maior exercido pela China e pela Rússia, com objectivos opostos em grande parte. De qualquer das formas, Putin pensa no cartel dos hidrocarbonetos reforçado com as reservas irano-iraquianas, apesar de todas as impossibilidades e dos erros catastróficos já cometidos pelos USA ; Hian Jitao sonha com a instalação de refinarias e terminais no Irão em troca da cedência de mísseis com capacidade nuclear no médio prazo, ainda que Israel e Japão tenham avisado que se opunham frontalmente a tal transacção.

FAR

1 comentário:

Anónimo disse...

News & Estratégias: O Le Monde parece muito melhor depois da saída do famigerado Jean-Marie Colombani da direcção. De qualquer das formas, o jornalista do vespertino pariseense que " lê " as coisas sobre a vida política interna do Irão, mostra-se muito mais peremptório do que o enviado especial do NY Times a Teerão, quase em cima da eleição de Rafsanjani para o Conselho dos Sábios, que pode destituir o Guia Supremo na letra do seu organigrama funcional...O jornalista do " Monde " diz que Rafsanjani dispõe agora de imenso poder sobre tudo e, acima de tudo, sobre Ahmadinejad. A ver vamos: fica sinalizada a divergência de pontos de vista entre os dois " colossos " jornalísticos do Mundo.E levanta-se já um novo pobrelama: pode haver aproximação política entre o Irão e a Turquia-governada por um islamista de meias tintas? E o que é que o núcleo duro da União Europeia dirá a tal respeito? FAR