sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A fenda de Tundavala

Estes são para a Gabriela

Poder dizer amanhã
o prazer de dizer que é para amanhã.

Comprazer-se de dizer amanhã.

Quando digo 'até amanhã'
conservo a esperança de acordar no dia seguinte.

Saber que sou eu e que estou cá.
(Aqui é onde me puseram, mas isso é outra história...).

Amanhã é eu estar frente às pernas escancaradas da fenda de Tundavala
o abismo
a vertigem
o olhar deslumbrado-assustado.
Em Tundavala cheirando o ar que pressinto frio da fenda.

O abismo num desafio de pernas abertas.
Amanhã...

1 comentário:

maria disse...

Na fenda da Tundavala pode-se cair de duas maneiras: ou inteiro ou só os olhos... a primeira possibilidade não foi a minha, mas ofereceu-me um sentimento de sorte que condiz com a minha cegueira, após a absorção da queda,que me foi possível.

A fenda da Tundavala é realmente como um amanhã a rasgar o agora, antes de tempo e sem aviso.
Obgda Fernando, gostei muito.
bjs