terça-feira, 18 de setembro de 2007

O progresso


A zona entre a Comporta e Melides, um verdadeiro paraíso natural, que tenho a sorte de conhecer a fundo e frequentar, vai experimentar, a breve prazo, o "progresso". Nestes quilómetros e quilómetros de praias quase desertas, dunas, sapais, lagoas, pinhais, acabaram de ser aprovados nada mais que três projectos de urbanizações túristicas: Comporta, Pinheirinho e Melides. Seis mil camas e quatro campos de golfe, turismo "de qualidade", claro está. Para quem possa pagar, e goste desse tipo de "qualidade de vida". Curiosamente, numa zona também conhecida por tipos de vida "alternativos": alemães, franceses, portugueses, que escolheram uma vida simples, modesta, junto da natureza, perdem todo um mundo. As magnificas noites da praia de Melides, no sr. António, onde se pode estar às uma da manhã e de repente entrar um quarteto com um violino, contrabaixo, sanfona e caixa e ficar até de manhã a cantar e dançar, as festas na mata, tudo isso será trocado por insonssos apoios de praia, aldeamento fechados à chave para aqueles que não gostam de se misturar, e campos de golfe, que os ricos também precisam de relaxar.

Deve ser a isso que chamam o progresso.

4 comentários:

mcorreia disse...

amigo, de igual desprazer me queixo eu pelos lados aonde uma praia a partir deste Agosto findo quase deserta nestes Algarves, onde, se não há uma banda de violinos, há o silêncio das ondas e luz simultânea do sol a pôr, a lua e as estrelas...
mas porque terão que encher os locais aparzíveis de campos verdes enganadores de serem eles pastos, mas onde se movem outros animais ao compasso de muitos buracos
perdoa mas é só meio desabafo :)

magnuspetrus disse...

Por aqui, e falo enquanto habitante em Grândola que obviamente frequenta os lugares mencionados neste post, as opiniões vão-se dividindo em relação aos projectos turísticos.
Por um lado a maioria das pessoas espera conseguir uma oportunidade de trabalho e dinheiro fácil (sinceramente acho que não sabem o que os espera) à custa dos "bifes".
Por outro, há uma minoria que receia (acho eu justamente) a destruição do último paraíso na costa Alentejana.
O sr. António já espera que removam as tábuas que se aguentaram durante trinta anos e não sei durante quanto tempo mais o sr. Ventura poderá continuar a grelhar peixe.
Enfim... sinto cada vez mais que o meu futuro não passará por aqui

Gustavo M. disse...

Pois é, amigo André!
É sempre a mesma treta.
Aplica-se o tal modelo de desenvolvimento bananeiro do green bem tratado por mão-de-obra low cost.
Os resultados estão à vista noutras regiões do país e não só.

Mas isso não interessa nada agora!!!

São precisos resultados, já! Queremos ganhar muita massa, já!
Que se lixe o "taberneiro", os freaks mal-cheirosos, as praias desertas e o Zé sem qualificações.
Que se dane tudo isso!
Aposta-se no "desenvolvimento" de um Portugal, promete-se dinheiro fácil e quem vier atrás que feche a porta.

Só estive de passagem por Melides, logo não conheço a zona...
Tirando as vezes que me despi no Meco, mas isso não conta. Pois não?

Agora vai sendo tarde para ir beber um copo ao lugar do Sr. António.

Há sítios que têm o seu encanto assim como estão.
Nós precisamos de regressar lá para continuarmos a sonhar.

Gustavo M. disse...

P.S.: Bela foto!