"Há três espécies de homens políticos: aqueles que turvam a água; aqueles que pescam em água turva; e aqueles - os mais dotados - que turvam a água para pescarem em águas turvas ".
Arthur Schnitzler,Verzeichnis und Einsamkeit,pág.34/35. Berlin Verlag
Parece-me possível e não caricato pretender discutir Carl Schmidt ou mesmo Maquiavel a propósito do envolvimento dos Neo-Cons na administração Bush-II. Só que são precisos muitos meios e temos que partir sempre de um ponto sintético de análise, onde a prudência e a limpidez contrariem os estigmas da política politiqueira que Schnitzler retratou de forma impar, conforme o excerto acima indicia. Outro erro crasso de miopia pode envenenar os objectivos prioritários de um agir comunicacional: a clareza e a frontalidade são fundamentais, caso contrário podemos estar a fazer o contrário daquilo que pretendíamos fazer. Com as agravantes políticas da praxe e o arrastamento de uma tortura cínico redundante de nauseabundo teor sadomasoquista. E, sobretudo, escrever bem é tentar interessar o leitor em ir por si próprio desvendar mais segredos da ideia(s) proposta.
No pré-lançamento de uma grande reportagem sobre o "Reajustamento" das orientações estratégicas da administração Bush-II para o Médio Oriente, Seymour Hersh, deu uma entrevista ao TruthCom onde alertava para o facto de os EUA terem convencido a Arábia Saudita a encher os bolsos de dinheiro a, pelo menos, três grupos de Jihadistas radicais sunitas para combater a insurreição xiita no Iraque. O escândalo é que esses grupos parecem ter ligações com a Al Qaeda(de obediência sunita...). Imediatamente, a revelação de Hersh correu mundo e tilintou nas redacções. Menos de 24 horas depois, é anunciado em Bagdad e confirmado em Washington, que os EUA vão sentar-se à mesa para falar com a Síria e o Irão na capital iraquiana. Para falar e não negociar, sublinhou o porta-voz da Casa Branca ao NY Times. Entretanto, Robert Parry, freelancer da Newsweek revelou que
havia hipóteses dos EUA e Israel terem bombardeado esta semana o Irão...
Hersh, como é habitual e isso marca a diferença essencial, falou com inúmeros estrategos reputados dentro e fora da alta administração americana e de muitos países do Golfo. Porque a guerra no Iraque caiu num " beco sem saída", Bush e os seus muxaxos resolveram " recuperar " a Arábia Saudita e instrumentaliza-la para combater os xiitas ... no Iraque e no Irão, se for possível em ambos os lados." Existe uma nova estratégia americana que subentende a divisão entre poder reformista e extremista, em múltiplos países da zona: Os 'bons', são os estados de obediência sunita, e os 'maus', são o Irão, a Síria e o Hezbollah", assinala, para frisar: "Os principais objectivos da reorientação estratégica não são públicos". A nova estratégia envolve Israel em conjunto com a Arábia Saudita - porque ambos vêem o Irão como uma "ameaça existencial", acrescenta.
Hersh cita em abono da tese contrária - mais um funesto erro de Bush-II e da sua equipa - diversos estrategos. Por exemplo, Martin Indyk, da Brookings Institution, assegura que a " Casa Branca vai é duplicar os riscos, não só no Iraque, como em outros pontos do Médio Oriente. Isso pode ser muito complicado. Tudo se pode alterar de alto a baixo ". Dando a voz a Patrick Clanson, do Instituto de Política Médio Oriental de Washington, este sinaliza que o PM iraquiano deve acabar com as milícias radicais xiitas, tipo Moqtada al-sadr´s, que o apoiam ".
O extenso artigo de Seymour Hersh, fala do grande papel realizado na aproximação com os EUA por parte da Arábia Saudita, onde emerge o príncipe Bandar bin Sultan, ministro da Defesa, como principal obreiro. Tendo sido 22 anos embaixador em Washington, o príncipe Bandar tem estreitas relações de amizade e cumplicidade política com a alta administração norte-americana, em particular. Por razões de política interna e de promoção política pessoal resolveu apoiar a fundo a nova fase da estratégia americana, onde Israel toma parte de forma avantajada com comandos especiais infiltrados no Irão a sinalizarem os menores sintomas de qualificação do sistema de tratamento do urânio ou da construção balística.
FAR
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