Scorcese de partida
A dita “academia” de Holywood ainda teve espaço para firmar mais um passo descendente no sentido da descredibilização da indústria cinematográfica, no aspecto festivaleiro dos Oscar. Não tarda, merece tanta consideração como a verdade competitiva no Wrestling, a excelência da Literatura dos prémios Nobel- um vero ninho de Saramagos- e as medalhas do 10 de Junho, em Portugal.
A atribuição da estatueta de melhor filme a “The Departed”, de Martin Scorcese, é injusta para o cineasta- já perdeu por piores motivos para que seja ressarcido com um Oscar de sabor a Life Time Achievment-, e é injusta para o argumento original. Quanto ao senhor Scorcese, como é uso dizer-se, ficámos conversados assim se esgotou o suspense e foi consumado o crime. Com a participação dos representantes das três principas seitas americanas- o judeu Spielberg, o irlandês Lucas e o italiano Coppola.
Todos os três bonzos e mais a frescura do Little Martin: Para mim? Que supresa? Não sei se devia? Bom, aceito.
Despudor. A desmesura do naipe de estrelas- Jack , Di Caprio, Wahlberg, Damon, Vera Formiga?- não é suficiente para polir a mediocridade da releitura que Scorcese faz do muito interessante “Infernal Affairs”. Realização e argumento do cineasta de Hong Kong, Alan Mak.
Confrontado com o prémio que Holywood acabava de ar ao seu filho bastardo (“The Departed”), Mak começou por exercitar a modalidade cantonense do self deprecating: “não sei como é que uma coisa tão grande saiu da minha cabeça” e concluiu com um juízo único: “nao gostei do final”.
Claro. É só a diferença que vai do epílogo desnaturado de Scorcese- regressado da sala de montagem, Mark Wahlberg elimina o ‘MAU’- ao positivismo urbano, de raiz taoista, de Alan Mak. Obviamente, o ‘MAU’ de “Infernal Affairs” sobrevive, pois não há coerência narrativa que exija o seu sacrifício.
Mak sabe que a “diferença” entre os elementos das organizações criminosas, no caso, alegadamente, a poderosa Sun Yee On, e os elementos das organizações policiais estabelecidas para os combater é onto e deontologicamente nula.
Para não perder mais tempo, que o nosso propósito é tão só de ar uma nota de desagrado, Scorcese, em nome das três seitas que o premiaram, transmutou o INFERNAL em Internal a fim de que, para tranquilidade dos papa-hóstias, pudessem entrar em cena a culpa, o remorso, e a redenção, a bem ou a mal, dos anjos caídos na tentação (os MAUS polícias). Todos dormimos mais descansados sabendo que o sistema é bom, embora passível de uma perversão ou outra, prontamente corrigida pelos organismos de supervisão das polícias, cuja honestidade é um dado.
Reputo de infame, miserável, a injustiça que foi feita ao Clint Eastwood de Letters from Iwo Jima.
JSP no Império do Capital
3 comentários:
Quanto ao Clint Eastwood, ai vão dois.
Vão 3.
Na minha concepção e visão do filme - Os infiltrados, o bem venceu o mal. Ou melhor: a castração, a morte, o real, se assim preferir. Apenas assisti ao ao filme esta semana e por isso sequer comecei a tecer a minha crítica construtiva e meus aplausos ao Oscar dado a Scorcese, quiçá, por tabela, também a Alan Mark e Felix Chong e afins.
Assim que concluir o post, venho aqui compartilhar. www.sanidadebandida.blogspot.com
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