segunda-feira, 5 de março de 2007

Foliões e outros gozões

O país pode estar a encolher geograficamente – com o mar a reclamar pedaços que não fizeram parte dos planos de conquista de D. Afonso Henriques, e lhe tinham sido roubados, muito depois do tempo dos afonsinos, para agricultura de subsistência e vivenda de praia – mas cresce intelectualmente no disparate e cretinice. Nas terras do funcho, onde as flores servem para fazer álcool, e as obras públicas são papo-seco para a classe trabalhadora e marisco para a empreendedora, desenrodilha-se mais um gracioso episódio da novela do Portugal democrático.

O vice-rei da Madeira, depois do Sr. Silva ter promulgado a Lei das Finanças Regionais, acordou um soalheiro dia sem dobrões de ouro no cofre para sustentar a sua paixão por charutos e estradas. Olhou pela janela do palácio, para o galeão fundeado na enseada, e pensou juntar-se ao corsário Jack Sparrow das fitas americanas numas viagenzitas de rapinagem pelas movimentadas águas asiáticas. Se, como narra Jorge Luis Borges na “História universal da infâmia”, a viúva Tching dominou desde o mar Amarelo aos rios da fronteira do Aname, ele, que tinha testículos, subjugaria os mares da Suiça e os lagos de Arrakis (ou Dune – no livro de Frank Herbert ou filme de David Lynch). Mas os Comandos Unificados Norte-Americanos, instalados nos cinco continentes para defender os fracos e oprimidos e destetados da Democracia, dissuadem os piratas não autorizados de abordar as naus transportadoras dos tesoiros que, pela alta carga fiscal, valem a pena roubar – electrónica e tabaco. Por outro lado, os piratas da perna de pau e olho de vidro receiam ser confundidos com cruéis terroristas, pois nesse caso serão abatidos como cães e lançarão o opróbrio no nome da família até ao dia do juízo final. Um futuro mais triste que Herman Melville ao publicar o seu “Moby Dick”, do qual apenas vendeu sete exemplares e lhe garantiu lugar entre os escritores pobres e esquecidos. Na altura da sua morte até o “The New York Times” lhe trocava Herman por Henry. (Nos dias do Império Coca-Cola nem aparecendo um descendente como o frequentador de hotéis Moby, com reconhecido sucesso no hit parade, reabilitará os nomes bin Laden, al-Zawahiri, al-Zarqawi ou John Kerry).
Táxi Pluvioso
(continue a ler o Táxi Pluvioso no Pratinho de Couratos)

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