
Ilustração de Ivone Ralha
(...)
De repente, o valor das minhas partes inferiores se desenhou, superior, ante o meu juízo. Cada pé sustenta mais que uma perna, meio corpo, meia vida. Um pé suporta o passado, outro dá apoio ao futuro. Aquele pé que o matulão me ameaçava, eu sabia, aquele pé dava sustento ao meu futuro.
- Esse, não. Lhe peço, dispare no outro pé.
O caçador de ausências
Mia Couto. Pública, 2003
3 comentários:
Bela imagem, esta do Mia Couto. Algum arrepio também, ao associar a imagem a uma cena do filme " Cidade de Deus".
é uma delicia ler o mia, mas a proposito dele e da metamorfose feita á poesia em prosa, conheci eduardo white e o poema sobre a infancia, o bebe...conheces eduardo white? as falas com escorpião? diz q se considera tb um mestiço em termos de cultura, bebendo deste e daquele e taé autores brasileiros...gostei sim senhor...O mia couto já conhecia, mas este eduardo nao...
Olá nina
Não conheço as falas com o escorpião, não o apanhei, mas tenho a poesia publicada em portugal na Caminho, ‘Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave’,‘Os Materiais do Amor seguido de O Desafio à Tristeza’, ‘Janela para Oriente’...
São livros fabulosos. De paixão.
Um abraço. Ivone Ralha
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