segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Terra

African Woman/10 (Kaponte 06)
foto: G.Ludovice

O negócio de carvão faz parte do primeiro pestanejo do sol de muitas mamãs angolanas, vive-se do que em honestidade permitir levar pela nascente noite para os fundilhos do bairro, algo de comer à garotada, bem contada talvez a única refeição maior do dia.
Pois, que é das intranquilas árvores?
Na pegada até Catengue, Caimbambo, Cubal, Quilengues, nos confins do distrito em Chongorói, carrinhas empoeiradas de longos quilómetros, trazem-nas já em destino de paus. Parece que ganharam ares de fantasma, onde se arredonda a profundeza das sucessivas sobrevivências em mistura com o engenho. Debaixo da terra viram carvão, que vai soprar na fuba calores, medidos depois em cada mãozita que vai à boca, em vontades que brilham.
Um montito de carvão não chega para assar um peixe nem um churrasco, nos seus dez a vinte kwanzas, mas muitas famílias têm o seu sustento diário, nesse estreitar vagaroso de montinho a montinho, numa esperança que se desengonça em continuidade.

1 comentário:

Elypse disse...

Um cenário da realidade digno de irrealidade...