quarta-feira, 30 de junho de 2010

Notas sobre o choque e o espanto no Mundial da vuvuzela (4), ou Nem choque nem espanto


A importância de uma substituição: O fatídico minuto 60. Duas substituições quase em simultâneo. Del Bosque, o treinador da Espanha, coloca um ponta-de-lança torre, o Llorente do Bilbau. Queiroz, o treinador português, tira o ponta-de-lança torre, o Hugo Almeida, e coloca um extremo, o Danny. Em três minutos, a Espanha empurra Portugal para a sua área, o Llorente quase marca de cabeça, e o Villa acaba por fazer golo, num movimento colectivo que, todo ele, tira partido da recém-chegada superioridade na área portuguesa. Um jogo dividido desiquilibra-se nos pormenores-pormaiores, como aliás o nosso próprio treinador tinha antecipado. Um daqueles pormenores tão pormaiores que, desta vez, toda a gente reparou.
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O balanço possível, para já: Estou com pouca vontade de escrever. Desiludido. Apesar de detestar este treinador, a selecção chegou a fazer-me acreditar. Quis comer o meu chapéu, acabei a beber cerveja  em conversas inúteis sobre o que é a arte, e os apoios do Estado à cultura. Merdas para esquecer. De regresso à Terra, à Pátria do Futebol, ao nosso Portugal dos Navegadores à conquista da Boa Esperança, relembro o filme do Mundial 2010 para a selecção nacional: nem bom nem mau, antes pelo contrário. A pior das sensações, um agridoce na boca.
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O futuro, para já: Voltarei ao tema, e com a profundidade que se exige a um escriba do meu calibre, mas quero adiantar desde já algo sobre o futuro da selecção, já que sei que as altas instâncias do futebol nacional fervem de ansiedade pelas minhas instruções: ganhámos alguns jogadores; acima de todos, o Eduardo, que passou o teste com distinção e provou ser guarda-redes de classe mundial. O Coentrão, apesar de hoje menos bem, demonstrou ser o lateral-esquerdo que faltava. O Meireles e o Tiago, mais o primeiro, são dois médios completos que terão sempre lugar num futuro próximo. O Hugo Almeida surpreendeu e deixou a interrogação sobre a necessidade de naturalizar um brasileiro para o lugar, ainda por cima trintão. Os centrais são excelentes, e o Carvalho ainda aguenta bem mais uns tempos. Foi pena o Amorim, que nem tinha sido convocado inicialmente, ter-se lesionado e assim não ter podido provar ser o melhor lateral-direito disponível (até o João Pereira é melhor que o Paulo Ferreira, o Ricardo Costa e este Miguel juntos). Portugal continua a ter um excelente lote de jogadores. No fim do jogo pareceu que o Ronaldo tinha dito merda ("perguntem ao Queiroz", disse ele, quando questionado sobre o jogo). É pena ter desdramatizado posteriormente, porque era um óptimo pretexto para retirar-lhe a braçadeira de capitão. Dar-lha foi um erro do Scolari, salta à vista de todos que é demasiada responsabilidade para aquela cabeça, e que o melhor era deixar o "minino" jogar, ser estrela, decidir jogos, mas que seja outro a liderar o grupo, que para isso ele não dá.
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O Queiroz, para já: Toda a gente sabe a minha opinião sobre este treinador. E neste Mundial, até esteve bem melhor que eu supunha; mas é medíocre, medroso, e, seja pela lógica do jogo, seja por motivos que nos ultrapassam e que se calhar estão escritos nas estrelas, continua a falhar (outros acham que tem azar. Também vale). Infelizmente, conhecendo o Madail e esses figurões da federação, estou a antever mais dois anos de "projecto", "renovação", "estruturação", enfim, de um futebol sofrível.

2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Muito choram os lusos. A melhor solução é sempre levantar o rabo da cadeira e fazer as coisas. Porque não entrar em campo e fazer melhor? Ontem, até o caçador Sousa Tavares confessava que não esperava que a selecção não passasse dos oitavos, depois desata a criticar, não se percebe porquê, se as suas expectativas foram cumpridas. Enfim, os lusos adoram falar. O mister é o melhor e sabe o que o país precisa. Ou então fazer um comissão de inquérito como em França, ridículo, (ainda bem que os impostos e serviços aumentaram, e espero que no 13 de Outubro o Governo anuncie mais aumentos).

Táxi Pluvioso disse...

A equipa espanhola. O que é que o pobre mister podia fazer? era uma demanda perdida, nunca poderíamos vencer.