segunda-feira, 14 de junho de 2010

Correio interno


André,

            Ainda não respondi, por falta de tempo e preguiçoso adiamento (ainda por cima mail é de borla). Demorei um bocado com o meu post sobre a vuvuzela, esse som tão português como o fado, som do vento nas velas com a cruz de Cristo, som dos apitos dos cacilheiros, som do crepitar da sardinha na brasa, som do bom jornalismo máriocrespiano e mouraguédesiano, som da Taça do Mundo descendo na Portela. Este momento histórico dos lusos merece uma atenção especial. E eu tive que publicar o post: aqui.

Vuvuzela devia ser um novo verbo do nosso léxico, verbo, substantivo, adjectivo, advérbio, the works!

Entretanto, comecei a escrever o próximo, sobre a Polícia in the streets of Lisbon, ó amada! os portugueses amam a sua Polícia, tanto como outra relíquia qualquer: o coração dos matadores de Inês, a guitarra de Paredes, a chávena da bica – (sobretudo depois do fim da PIDE, – os lusos sofreram tanto com este fim, não havia psicólogos na altura, ou a conta do apoio psicológico, seria elevada; dizem que odiavam, mas há muito exagero nisso, surge a posteriori – e a PSP está a dar, outra vez aos lusos, a possibilidade se chibarem sem consequência (de forma anónima como eles gostam – não é o mesmo que a PIDE, não se ganha dinheiro, mas são outros tempos, e dá pra matar o gostinho).

Eu participava com os desenhos “Sinais”, não tenho nenhum problema em continuar. O meu entendimento com o Armando era que, eu mandava-lhe os desenhos, e ele escolhia os publicáveis, alguns não tinham piada nenhuma, outros roçariam o mau gosto e poderiam atrair problemas legais (os lusos adoram chamar a polícia, como disse, o fim da PIDE foi um desastre nestas boas cabeças: por isso é que escrevo posts muito longos: ninguém lê: não há polémica: não há chatice).

Se quiseres continuar a fazer a selecção, uma perspectiva exterior é sempre melhor, do que o esforço de concentração e adequação ao meio, tentarei enviar alguns desenhos brevemente: antes tenho de terminar o post (complicado e demorado, pois uma parte é sobre capas de discos, e o tema é intrincado. Ainda não faço ideia de quando estará pronto: espero que lá para o próximo fim de semana).

Um abraço 

Maturino Galvão.

Não deixe de ler o Pratinho de Couratos

Sem comentários: