terça-feira, 2 de outubro de 2007

Aforismos liberais (8)

Qualquer problema económico, em qualquer lugar, sob quaisquer circunstâncias, deve-se sempre à falta de liberalismo.

(Duvidas? É ler os comentários do jcd ao aforismo anterior)

14 comentários:

jcd disse...

Como definir "problema económico"?

ana cristina leonardo disse...

É fácil. É quando se chega a um Multibanco e aparece uma mensagem que tentamos desesperadamente que ninguém atrás de nós consiga ler: «Lamentamos mas o seu saldo não lhe permite efectuar esta operação»

André Carapinha disse...

Muito a propósito: "Problema económico" neste aforismo, deverá ser entendido como o sentido (aparente) da conjugação dos dois termos: "Económico", penso que todos o entemos bem. Quanto a "problema", tomamos o sentido clássico e fundador: segundo a Logos, "tudo aquilo que se opõe ou resiste à penetração da inteligência, constituindo uma incógnita ou dificuldade a resolver". É exactamente nesse sentido que se deve entender o termo "problema" neste aforismo.

jcd disse...

Nesse sentido, "tudo aquilo que se opõe ou resiste à penetração da inteligência, constituindo uma incógnita ou dificuldade a resolver", há, na verdade, um grande problema económico neste blogue.

E, neste caso, julgo que nem o André contestará a atribuição da fonte deste problema à falta de liberalismo.

André Carapinha disse...

jcd, está a descer de nível. Olhe que mesmo assim não entendeu nada. "tudo aquilo que se opõe ou resiste à penetração da inteligência" significa um desafio à inteligência, ou seja, um problema.

Não me surpreende que este blogue seja um desafio à sua inteligência. Mas surpreender-me-á se o conseguir superar. Boa sorte.

jcd disse...

"jcd, está a descer de nível."

André

Depois de ler o que li no Insurgente, escrito por alguém que assina com um nome igual ao seu, reconheço que há níveis aos quais não consigo chegar.

Um abraço liberal

Igor disse...

Vamos alterar as palavras mas manter o raciocínio:
"O socialismo não é mau. O facto de sob a sua égide terem morrido dezenas de milhões de pessoas é apenas porque a verdadeira consciência revolucionária não tinha sido atingida."

ana cristina leonardo disse...

Vamos alterar as palavras mas manter o raciocínio:
"O capitalismo não é mau. O facto de sob a sua égide terem morrido dezenas de milhões de pessoas é apenas porque a verdadeira consciência liberal não tinha sido atingida."

André Carapinha disse...

jcd:

O que escrevi no Insurgente era, como sabe, uma reacção a um "intelectual" desse blogue cujo único argumento era o de que a esquerda é composta por idiotas que não percebem da realidade.

O mais curioso (ou não, que é habitual nos "liberais"), é o coro de virgens ofendidas que se levantou ao meu comentário.

Mas ficará com vocês. Eu não esperava outra coisa.

Igor disse...

Ana Cristina, quantas pessoas as democracias liberais assassinaram, e quantas pessoas os regimes socialistas assassinaram?

ana cristina leonardo disse...

igor, infelizmente o meu livro de contabilidade não está actualizado. Contudo, uma consulta rápida à Wiki (sim, eu sei, não é a Britânica, mas era a que estava à mão) avança com várias definições para liberalismo (haverá mais): Liberalismo clássico, Liberalismo Social, neoliberalismo, Anarco-capitalismo
Libertarianismo...
Por isso, de que falamos quando falamos de liberalismo? E, note-se, a mesma pergunta será legítima para o socialismo.
Quanto ao número de pessoas assassinadas, e sem querer entrar em balanços morbidos, lembro só que, dados oficiais, apontam para 1 126 370 mortos na guerra do Vietnme; no que diz respeito ao Iraque, aconselho-o a consultar online a Iraq body count porque os números variam hora a hora. No momento em que escrevo este post situavam-se algures entre 74,689 e 81,391. Claro que toda esta gente morreu fora das fronteiras das democracias liberais, como a escravatura tb se praticou fora de portas. O mundo, porém, é uno e o efeito borboleta já foi confirmado pela ciência. De qualquer modo, qualquer conversa sobre o assunto implica uma definição prévia dos conceitos. A não ser assim será, no mínimo, uma conversa intelectualmente pouco honesta. Não levemos, porém, as coisas demasiado a sério. Isto são meros posts e, entretanto, o mundo rola lá fora...

Igor disse...

Ana Cristina, podemos tergiversar muito sobre os conceitos, mas a questão é que uma e outra ideologia concretizaram-se em regimes políticos.

O liberalismo, concretizado em regimes políticos, implica economia de mercado, e pode incluir formas de Estado Social (aliás, no RU por exemplo os primeiros soluços de Estado Social foram desencadeados pelos Liberais, ainda os Trabalhistas estavam fora do sistema de rotatividade); para além disso, o liberalismo implica separação de poderes e rule of law, dado que quando os Estados modernos nasceram eram liberais e foi o liberalismo que trouxe estes conceitos.
Quanto a concretizações de Estados socialistas, os únicos que conheço são Cuba, URSS, China (hoje já não, mas em tempos), Europa de Leste, etc..

O que eu pretendi dizer, é que pode dizer que esse não era o verdadeiro socialismo, mas isso é completamente improdutivo. O que interessa é que, concretizado, o socialismo deu naquilo. A questão deve ser colocada: poderia resultar noutra coisa qualquer? Quantos mais milhões de seres humanos queremos usar como cobaias?
Pelo contrário, o liberalismo pode ter muitas manchas no seu percurso. Mas não só a sua forma de organização política é rigorosamente a única que se tem revelado ser justa, como do ponto de vista económico é o único que é compatível com a democracia e que simultaneamente promove a prosperidade e, até, igualdade social. Países como a URSS não eram igualitários. Mais hierarquia que aquela era difícil.

Gustavo M. disse...

Impressão minha ou confunde-se liberalismo com liberdade...
Em tempos que já lá vão também se confundiu "socialismo soviético" com "liberdade"...

Igor disse...

Gustavo, "liberdade" é um valor, não uma ideologia nem um regime. Os regimes resultam de ideologias e têm características próprias. Os regimes liberais adoptam coisas como a propriedade privada, a separação de poderes ou o "rule of law". Os regimes socialistas abolem a propriedade privada; no que diz respeito à mecânica de poderes, a única que foi teorizada a fundo foi a leninista, e é essa que por isso corresponde aos regimes socialistas.