sábado, 13 de outubro de 2007

Bernard-Henri Lévy ataca "Rove" de Sarkozy

O autor de "A barbárie com face humana" denunciou o "racismo" do Conselheiro Especial do Pr. francês, Henri Guaino e, paralelamente, continua a defender Ségolène Royal. O Outono parisiense está mesmo quente: correm insistentes rumores sobre o possível divórcio do casal presidencial...É o show-bizz animado pelo canibal- presidencialismo copiado do modelo arruinado protagonizado por GW Bush, que se derrete a produzir tempestades de boulevard.


Quem diria que B-H Lévy, o intelectual mais incongruente e mediático do Tout-Paris, se iria colocar em bicos de pés para denunciar a irredutível fragilidade do principal e omnipotente Conselheiro Especial do Pr. francês, uma espécie de Karl Rove, a peça principal da argumentação política do candidato Sarkozy na sua marcha célere para o Poder. Isso aconteceu mesmo. De verdade. Lévy fez fogo sobre o célebre discurso de Dakar do novo Pr. francês, escrito por Guaino, ler texto, clicar aqui, E aproveitou, sibilino, para criticar com grande violência - acusou-os de maurassianismo - os dois "coveiros" de Ségolène Royal como candidata a Pr., Chevènement e Lionel Jospin.

B-H L. considerou "ignóbil" o discurso de Dakar, proferido dois meses após a investidura de Sarkozy como presidente da França. Como se sabe, a África Ocidental é um "jardim" para as ambições neo-coloniais do capitalismo francês, por excelência. O discurso foi mesmo um absurdo. BHL tenta desculpar Sarkozy...mas chama " racista " a Guaino, um economista keynesiano que sempre navegou nas margens enevoadas do gaullismo social. O que se sabe, para já, é que a França que tem um forte contingente militar na Costa do Marfim e assessoria os governos da Gâmbia, do Chade, etc, corre o risco de ver a sua missão político-militar muito maltratada. E Sarkozy revelou a sua fraca estatura intelectual, claro.

Se existe uma parte de calculismo "táctico-promocional", clique aqui, artigo de Schneidermann, a invectiva de B-HL espanta por se posicionar ao arrepio da lógica do compromisso assumida pelos seus rivais, Kouchner, Attali, Glucksman e Bruckner, entre outros trânsfugas para o campo enlameado do canibal-presidencialismo à la Sarkozy. O comentário de Schneidermann é mesmo delicioso e muito corajoso: apesar de todas as suas limitações e embustes, o gesto de verrinoso de Lévy é um grito numa alcova povoada de " reverências e medos" (sic).

A defesa de Ségolène por B-HL fia mais fino. As ruínas no interior do campo dos socialistas franceses são enormes. Só Ségolène se mantém à tona de água. Obrigou o pai dos quatro filhos a sair de casa, por infidelidade conjugal indesmentível do n° 1 do PSF. E faz frente a uma onda de livros-libelo contra as suas ideias e estilo, sobretudo um de Lionel Jospin, onde é tratada de superlativa imbecil. Lévy continua a proclamar aos quatro ventos que, Sego, é uma mulher "formidável", que tinha carácter e estatura para o job " de presidente. Só que, acrescenta, se "encontrou terrivelmente só" e, o grão-de-pimenta, "falhou a aliança com os centristas" de Bayrou, o que aconselhavam Rocard, Strauss-Khan, Kouchner, e tutti-quanti. Está-se mesmo a ver...

FAR

3 comentários:

Anónimo disse...

Adenda: Li no Público que MM Carrilho vai para Paris.Para a UNESCO: uma espécie de exílio dourado do socratismo.Vai ver o seu amigo Jack Lang, um dos trânsfugas para o campo minado de Sarkosy. Entretanto, a andrógina Cecília Sarkosy continua a monte...Nicolas tem alternativas...e para melhor, claro. FAR

Anónimo disse...

O B-H L é um traste mas às vezes tem piada.

Anónimo disse...

O que tinha piada em articular era a escorregdela de Carrilho e de Júdice em prol de Sarkosy, dos seus métodos que, o Nouvel Obs, classifica de canibais em relação ao seu próprio Governo, ao Poder Judicial, etec,etc. Uma espécie de populismo à francesa, com que Menezes sonha...para lá da sua cretinice e improbabilidade. FAR