quinta-feira, 4 de outubro de 2007

As carpideiras e os puros

Depois do PCP acusar Sá Fernandes de estar «disponível para tudo desde que possa tutelar um pelourozinho na Câmara Municipal de Lisboa» , e isto embora o próprio PCP tenha já estado, e largos anos, coligado com o PS na Câmara, começamos a ver resultados da (feliz) coligação entre o PS e o BE: plano verde aprovado, e, de acordo com o Público de hoje (sem link), contrato de trabalho para todos os trabalhadores a recibo verde que a CML possui. Situações que só com a Esquerda nos executivos são possiveis, e que mudam a realidade da cidade. Assim se percebe a indignação das carpideiras do costume, e os seus cenários de apocalipse que daquí a uns tempos convenientemente recalcaram, como, infelizmente, se entende a tácita coligação entre o PCP, o PSD e Carmona, para tentar bloquear propostas do executivo. Nada a que o partido dos puros e duros não nos tenha habituado, em muitos executívos autárquicos por esse país fora. É pena que o PCP não veja que, mais importante que lutar pela hegemonia dentro da Esquerda, este é o momento histórico para lutar pela sobrevivência da Esquerda, enquanto projecto e realidade política exequível.

3 comentários:

Anónimo disse...

Olà André Carapinha: Tudo muito certo sobre o eleitoralismo e oportunismo burocrático do PCP. Só que com as percentagens que ele, PCP, tem vindo a averbar, o que se pressagia é o fim do partido. Como aconteceu em Itália e está a acontecer em França, para não falarmos dao que se passou em Espanha. Portanto, a estratégia zig-zagueante do PCO acabará por lhe ser fatal. Militantes tão criteriosos como Rubem de Carvalho, entre outros, arriscam-se a serem apanhados por uma " vaga" de negatividade eleitoral sem precedentes. E como tudo é imensamente fraco em Portugal,rebimbau-pardais-ao-ninho. FAR

Gustavo M. disse...

Contratos de trabalho para os do recibo verde da CML!
Óptimo, imagino que são contratos a prazo, espero que haja vontade de renova-los no futuro. Se não, isto não passa de uma medida populista.

De qualquer forma eu acho bem que o BE tente influenciar, por dentro, as decisões da CML.
Estou de acordo com aqueles que acham o PCP perto do fim. Por outro lado é pena... Uma capacidade organizativa e uma força de vontade de certa forma desperdiçadas em objectivos pouco claros, direi mesmo, parados no tempo.

Mas no BE um certo "pragmatismo duvidoso" levanta por si só algumas questões, pelo menos para mim.
Politica!

Benamor disse...

A construção da UE teve como efeito tornar praticamente impossível qualquer alternativa ao neoliberalismo.
Por isso, acho que são falsas as notícias da morte do anquilosado PCP.

Para perceber melhor que nem moribundo está é ler a reportagem de Miguel Esteves Cardoso sobre a Festa do Avante, publicada na "Sábado".