domingo, 14 de outubro de 2007

Mambo 27

As pessoas podem fazer lembrar os seus países, mesmo num sítio longínquo.
E o que foi uma politizada geografia comum é agora também montanha e vale num olhar e uma sensação de espanto e uma vontade completa de baralhar as línguas e os seus idiomas.
De repente podem estar frente a frente como dois elementos de estado, sabiamente envenenados por ancestrais culturas, numa rapidez que avança porque parte do estalido de uma estranha e ritmada compreensão.

O que poderá ser um cubano muy macho e nada romântico ao lado de uma sentida angolana?
Estende a maciez do queixo, o braço em amparo, tira-lhe as espinhas do peixe, talvez ainda primo daquele que nas remotas águas de Trinidad é gastronomicamente velado quarenta oito horas antes de ser perfeita refeição, dedica-lhe canções e canta-as devagar com areias de Ancór ainda nos olhos, prepara-lhe mojitos deliciosos enquanto ela fica só ali sem sequer sílabas, pede a um amigo que escreva no minuto um poema e oferece-lhe, dizendo só que o amigo é um grande escritor, para-lhe nos lábios um enxuto charuto para que se extasie, segue viagem no que existe na colher até à sua boca, vai pela rua a agitar a sua alegria como se uma fogosa bandeira fosse a mão dela, no dia em que terminou a escravatura no Valle de los Ingenios. No rosto, os seus ossos largos permitem que o coração fique intemporalmente à espreita, enquanto é noite e acredita e deseja, que os países de algum modo são como "algumas pessoas".

Dedicado a Cuba e a Angola

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