quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Richard Rorty: "Todas as coisas têm agora que ser feitas de novo"

Do grande filósofo anti-sistema, o mais europeu dos norte-americanos, recentemente falecido, um ponto de ordem radical para nos fazer pensar (e viver...) de outra maneira.

"As figuras que estou a usar como paradigmas da teorização ironista - o Hegel da Fenomenologia, o Nietzsche de O Crepúsculo dos Ídolos e o Heidegger da Carta sobre o Humanismo - têm em comum a ideia de que há algo (a história, o homem ocidental, a metafísica - algo de suficientemente vasto para ter um destino) que esgotou as suas possibilidades. Assim, todas as coisas têm agora que ser feitas de novo. Não estão apenas interessados em fazer-se de novo a eles próprios. Pretendem também fazer de novo essa coisa grandiosa: a sua própria autonomia será uma excrescência dessa novidade mais vasta. Pretendem o sublime e o inefável e não apenas o belo e o novo - pretendem algo de incomensurável com o passado, não apenas o passado recapturado através da redisposição e da redescrição. Pretendem não apenas a beleza visível e relativa da redisposição, mas sim a sublimidade inefável e absoluta do Totalmente Diferente: querem a Revolução Total ".

In Richard Rorty, Contingência, Ironia e Solidariedade, Editorial Presença, Lisboa


FAR

2 comentários:

Anónimo disse...

Há algo de fundamentalista, diria mesmo de maoista, nestas teses.

ana cristina leonardo disse...

FAR, concordo com o Rorty: novidades, novidades, nem no continente
Anónimo, maoísta, o Hegel? Isso tb já é mania da perseguição pós-moderna.