sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Telegramas

1. Birmânia: síndroma da Realpolitik? "Um paraíso esquecido no tempo e geografia, tornado num inferno por uma clique de generais dispostos a todos os comportamentos orwellianos para se apoderarem das riquezas naturais. Petróleo, gás natural, madeiras preciosas. De início, roubaram-lhe o nome e rebatizaram-na de Myanmar, exigindo dos serviços postais que reenviassem ao expedidor todo o correio que mencionasse o nome de "Birmânia" colando a menção"país desconhecido". Este extracto faz parte de um artigo de Christophe Ono-Dit-Biot, recentemente publicado no Liberátion. Situemos a questão crucial: os USA, a China, a Índia e o Japão, com a Rússia por perto, parecem não estar interessados numa mudança brusca do terrível statuo quo birmanês. As nuances e equilíbrios geopolíticos inter-regionais apontam para uma indefinição momentânea da situação social e política. A Tailândia, com uma Junta militar mais ou menos democrática, tem realizado vultuosos investimentos na prospecção de gás e petróleo. A que se juntam agora uma série de barragens hidroeléctricas para produção de electricidade indispensável ao surto industrial tailandês. A China e a Índia, por motivos semelhantes, tentam obter quotas nos jazigos de gás e petróleo a serem prospectados no Golfo de Martaban. Tudo isso conta e os USA de GW Bush perderam já grande parte da aura de progresso e paz que tinham na zona, ponto cada vez mais importante do afrontamento pelo poder entre, por um lado, o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Indonésia e Tailândia, principalmente, e pelo outro, um bloco irregular de cada vez mais dependentes do humor das relações entre a tríade " infernal", China, Índia e Rússia. Investigadores da Universidade de Harvard produzem relatórios muito precisos que o NY Times tem divulgado na última semana. Portanto, a situação birmanesa vai continuar a chocar-nos e ninguém sabe como obrigar a Junta militar a negociar com os partidos da Oposição na clandestinidade.

2. Mailer ataca de novo GW Bush - Recordam-se do livro-planfleto de Norman Mailer sobre o 11/9? E da campanha fantástica que desencadeou, a nível mundial, de parceria com Le Carré e Harold Pinter, entre outros, de protesto contra a invasão do Iraque? Bem, esta semana, Mailer vai lançar mais um romance. Intitula-se “Um castelo na floresta” e o grande escritor norte-americano, a esse propósito, deu uma grande entrevista a um consórcio mundial de jornais e revistas. Destaque para o reforço da crítica "psicanalítica" que subscreve de GW Bush. Diz ele, e vale a pena segui-lo: " A democracia é como um casamento. Um casamento pode acabar mal, e a democracia também. Nos USA, esse perigo existe. A democracia não está em tão bom estado, como há cerca de cinco anos atrás; e nós encontramo-nos numa situação pré-fascista, como um cancro que nos devora a pouco e pouco. O presidente GW Bush constitui só por si uma zona de infecção. Cada vez que abre a boca, ele diminuiu a boa saúde da democracia".

FAR

2 comentários:

Anónimo disse...

Notas - Dificuldades técnicas têem-nos impedido realizar as " coisas " como o desejo.
Textos essenciais que se articulam com o presente:
. The widening gyre- Chaos and unity in a fragmented Iraq. De ROGER OWEN, Uni. Harvard. in NYTimes 29/30-10;

.A View from Tehran- Blogging Ahmadinejad. TOM PARKER .NYT.1.10;

.Saffron Revoltion- Joining Forces against the Junta. Michael Green and Drek Mitchel, NYT 2.10

Por outro lado, o Le Monde está muito melhor ainda com a nova direcção. Pierre Hassner publicou um texto de 50 mil caracteres sobre a geopolítica Mundial. Texto muito interessante, onde ataca os EUA e a Russia de Poutine, ao mesmo tempo que explica porque nao deve ser bombardeado o Irao.

Portanto, ressalvo a irregularidade do texto e avanco com votos de audácia, audácia e mais audácia...pois, a Blogosfera lusa, em alta qualidade. Avanti, pois. FAR

Anónimo disse...

Michael Green e Derek Mitchel pertencem à Georgetown University, de Washington.
Tom Park dirige um Centro sobre os Direitos Humanos para o Irão.

Pierre Hassner, conjuntamente com Claude Lefort, dois discipulos de Raymond Aron,continuadores da sua obra,representa a face mais estruturada da análise política e sociológica da França, de hoje. Pertence ao núcleo duro de grandes politoogos, uns mais à Esquerda, outros à Direita, como Alexandre Adler e Yves Lacoste, este último fundador da revista Heródoto.FAR