terça-feira, 24 de abril de 2007

Traições

Entregaram o Eusébio ao Inimigo.
Já não acredito em nada.
O Hospital da Luz é um disfarce sacana para a Solução Final.
Auschwitz do nosso fulgor...

Finalmente, conseguiram tê-lo.
Foram-lhe às carótidas e lixaram-nos.
A lagartagem apanhou-nos o Pantera Negra.
Está enjaulado, sedado, anestesiado, operado.

Apanharam-no, desprevenido, mais idoso.
Um homem fica despreocupado,
nem nota que à sua volta se erguem rancores antigos.

Há-de, porém, rematar como só ele sabe.
Certeiro e forte.
A baliza da Vida há-de curvar-se numa veneração respeitosa.

O Pantera há-de sair sacudindo as traições.

4 comentários:

zemari@ disse...

As forças de segurança contratadas pelo SLB ainda não conseguiram confinar o alastramento de Alzeimer, um intruso que conseguiu infiltrar-se nos interstícios dos lugares de topo, das equipas técnicas e médicas. Está-se a tentar a tudo custo que o intrometido não faça razias entre os sócios que já andam há década em estado catatónico e obnubilado. Até deliraram, acreditando que eram campeões a partir das onze de um dia destes.


A Pantera teve alta médica e julga-se Mantorras.
Sente os tendões e os ligamentos cruzados do menisco externo e interno do joelho esquerdo e direito no seu melhor. Esperançado, indaga-se: poderei ser usado como arma secreta?! Sinto-me como o Mantorras, quando ele dizia há dias, que estava na maior. O velho símbolo benfiquista estava pronto para catapultar o SLB p’ra o 1º lugar e o mais que fosse preciso
Foi falar com quem manda.

Ao lado, um pouco afastado e à frente, Mantorras começava a ruminar e a inclinar-se para um declive onde era fácil perder o equilíbrio e esgotante restabelecê-lo. Começou a sentir-se como se tivesse os joelhos de Eusébio, lembrando-se como ele os descrevia. “Os ‘elásticos’ estão nas últimas. Nem todos juntos segurariam um menisco, quanto mais dois.” Afinal, os outros tinham razão. Ele Mantorras, ainda não tinha canetas para jogar a alto nível”, o seu patamar de sempre.
Não posso enganá-los. Vou falar com quem sabe.

Vale e Azevedo, um ícone do povo benfiquista, chegou a avaliá-lo em 12 milhões de contos. Parece-se que já tinha mandado vir um cofre desconhecido da PJ, onde ia pô-lo ao abrigo de qq. infortúnio.
No dia em que ia ser encarcerado na gaiola (dourada), acrescentva esse presidente do SLB. Para ele tudo era ouro. Um trafulha de alto coturno que tinha ideais para aplicar, visões para concretizar e confiança total no sucesso através de off-shores. Mas não tinha um chavo. E nunca lhe disseram que para haver negócio tem que existir um mínimo de credibilidade e confiança entre as partes. Também estes princípios nunca foram muito comuns nos procedimentos do Benfica com terceiros.

Duas horas depois, o jogo arrancava antes de um minuto. O speaker, emocionado, perturbado, lá consegue, num esforço agónico, anunciar: “E Matorras com o 13”.

Informou ainda que Eusébio, apesar da sua grande recuperação, quase milagrosa, tinha ido para casa com familiares e amigos, depois de ter tomado um comprido de só acordará daí a uns dias.

Luís Filipe Vieira, internado, ruminava. “De facto, é para dar a torto e a direito com os costados no hospital gerir este clube planetário, que tem só do que é bom e do melhor, com um plantel escolhido a dedo, depois de grande, profunda e entrosada pesquisa que esteve na base do planeamento.”
E pensava: “ainda por cima, neste pardieiro encardido a que chamam hospital, todos, totalmente todos: directores, especialistas, médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos, homens da empresa de segurança, analistas, fisioterapeutas, faxineiros, todos têm a certeza absoluta de que ninguém sabe mais de futebol do que eles.

A vida do Presidente SLB internado é um massacre contínuo. Ao mais leve indício de dispersão da marabunta que monta cerco à marquesa, o turbilhão reflui, babando-se entre os caninos, e recomeça acercar-se ainda com mais impetuosidade.

Nunca conseguiu fazer chegar à equipa técnica a mensagem que poderia salvá-los a todos: ele, o Veiga, o Santos, o Chalana (que estava com boas hipóteses de se reabilitar), o Shéu (que ao fim destes anos ainda não tinha percebido o que andava ali a fazer). Até o terapeuta e o homem do milhafre, que ainda tem esperança que os transformistas de animais o tornem numa águia-real careca.

Vieira dobrava e desdobrava o papelinho com as suas ordens. Apanhou um safanão, a mensagem caiu no chão, uma centopeia calçada com sapatos, botas, nikes, adidas, reduzi-o a moléculas a sua última esperança.

Deixou-se abater. A única hipótese de êxito era pôr o Eusébio atrás do Nulo Gomes e do Miccoli, mas de modo a que pelo menos um colega conseguisse vê-lo.
Fizeram tudo o contrário.
Meteram o frasco de compridos e saco de compressas a jogar porque pensavam que ele estava tão bem fisicamente como o Eusébio. E puseram a Pantera a dormir, porque estavam convencidos que as suas articulações ainda estavam muito piores que as do Rei de Angola

“Felizmente somos um clube organizado, com uma equipa de futebol rodeada de um bom ambiente, onde nunca há sobressaltos que afectem os jogadores. Já todos nos disseram que foi bom termos vendido o Rocha, pois dá para pagar as rescisões dos órgãos directivas, se não forem tão insultuosamente estapafúrdias como as BP, EDP, CTT,. E para rescindir com os treinadores e jogadores (que se lixem as cláusulas de ressarcimento.)

Mas o ainda Presidente tem tudo previsto. Arruma-se e fecha-se o clube para obras. Depois põe-se o “menino” nos braços do Vilharinho” Agora até nem posso acompanhá-lo naquelas tertúlias de garrafa sempre aberta.
Mas vou indicar-lhe o Toni para director desportivo. Têm muitas afinidades.

E virou-se para o outro lado, puxou o lençol por cima da cabeça e adormeceu imediatamente. Sonhou com vulcanização com novas tecnologias que permitiam, com menos risco, vender gato dos guetos da Brandoa por lebre selvagem dos montados do Alqueva. E mais feliz ficou quando recomeçou a sonhar, agora com uma ponte rodoferroviária Marvila – Barreiro em que os passageiros se entretinham a contar as fatias de fiambre que uma mãe cortava na cozinha de uma casa qualquer de um dos seus empreendimentos. Uma ideia de génio: nunca o comboio ficou tão perto das suas janelas e da sua porta. Não perca tempo em mais transportes: salte do peitoril para a cadeira mais confortável da sua carruagem que preferida. Ele declina, naturalmente, toda a responsabilidade por qq, acontecimento ou acidente que não esteja ao abrigo dos contratos assinados com a Câmara

Desde que deixou o Benfica, a holding Luís Filipe Vieira é um exemplo da opção pela moderna tecnologia na saída e entrada de passageiros da carruagem para a sua sala de estar. Veiga acólita Vieira: os acidentes não são significativos. São inevitáveis. O problema é a falta de civismo dos utentes.
E como remate, para calar quem passou a denegri-lo e meter uma rolha nos perguntadores, dizia firme: “Em 27 de Abril de 2007, quem devia ter jogado era o Eusébio, que tinha os joelhos afinados do Mantorras. O menino de ébano, que começou comigo no Alverca e que depois vendi ao Salgueiros para ele poder para o Benfica e não para o Porto, tinha de ser recambiado para a mãe com compridos suficientes para só acordar quando terminasse o contrato connosco. Em vez disso, acabou por jogar com os joelhos do Eusébio.”


Divagações pela madrugado de um homem estoirado, grande apreciador do leito conjugal, mas que hoje foi totalmente fintado pelo sono.
Ao menos, amanhã (daqui a bocado) vou trabalhar ultra-rabujento e, depois de passarem palavra, ninguém vem falar comigo, o que é óptimo. Preciso de paz.

zemari@ disse...

Reformulo:
Onde se lê:
'No dia em que ia ser encarcerado na gaiola (dourada) acrescentva esse presidente do SLB. Para ele tudo era ouro.'

Deve ler-se:
"No dia em que ia ser encarcerado na gaiola (dourada, acrescentava esse presidente do SLB) o futuro filão lesionou-se gravemente. Para o VA tudo era ouro."

Mas que trapalhada, o comentário acima. Ninguém entende nada.
Até pareço o SLB a jogar...

É isso, agora deu-me para escrver como o Fernando Santos treina, dá a táctica e faz as substituições.
Mas acho que, apesar de tanto dislate meu, o Eng. (Técnico?) ainda me ganha.

FernandoRebelo disse...

Boa,boa... Grande texto. Um abraço, sem 'hard feelings'...

Anónimo disse...

VIV'Ó EUSÉBIO!
Não sou do EUSÉBIO,
por acaso!
Sou do EUSÉBIO, porque o EUSÉBIO foi "raptado" pelo Estado Novo e foi "cair" no
BENFICA!
VIV'Ó GLORIOSO!