sábado, 28 de abril de 2007

Digressão interna (II)

Escusado será dizer que o Landru, nosso vaticanólogo de referência- é dele a teoria sobre a castidade virtual de sua santidade- e também perito nas relações entre o catolicismo e a indústria farmacêutica- o viagra e a irmã Lúcia-, desembarcou no cais do Barreiro em cima de uma nuvem. Não era caso para menos…não só se preparava para assistir a um concerto integral de Mad Dog e dos Santeros, como muito principalmente estava fresco de ter sido admitido nos Viggis e logo na importante posição de secretário-geral. Aliás, Landru foi, perante a estranheza dos indígenas a quem ofereceramos boleia na “Mad Dog Van”- uma Volvo de 55 lugares que, quando não está sendo precisa, é geralmente emprestada aos Transportes Colectivos do Barreiro-, saudado de forma efusiva pelos demais Viggis. O habitualmente circunspecto Landru, também conhecido pelo cognome de ‘Príncipe da Cidade’, não escondia, pode dizer-se, satisfação e orgulho por ir ocupar um posto que fôra do canalha Gomes da Silva- expulso por delitos axiológicos e pressão do Sérgio Albasini.
Landru reciprocou com uma demonstração de destreza em movimento acelerado: enrolou um charro em menos tempo do que o motorista levou a dizer “não tarda, ponho-vos na rua” e ofereceu a primeira rodada de baldes, no primeiro “buraco” que encontrássemos. Par hasard…a Associação dos Dadores de Sangue do Barreiro. Simpática colectividade da Avenida da Praia que explora um misterioso “comes e bebes”, servido por um duo de barmen: um sósia amarelecido de Peter Cushing e um exemplar do tipo Bela Lugosi on steroids. Declinámos, obviamente.
Havia, pois, que encontrar amesedação condizente com a estirpe da delegação e com a circunstância de ir ser transmitido o Portugal/Bélgica. Lá partimos na demanda do Shangri La: acabámos por estacionar no restaurante “O Moutinho”, propriedade e serventia de um simpático casal da família do grande João Moutinho do Sporting.
Como descobriu Ponce de Léon- no relation-, a viagem assegura a juventude. Razão porque deambulámos bastante até assentar guardanapos no Moutinho. Passando pela sede de um jornal local- Mad Dog comparou-o, para o quem quis ouvir, com o “Choson Sinbo” de Pyongyang, por um mono que aparentava a dignidade de uma mairie mas deve funcionar como clínica de ‘anger management’, a julgar pelos cabrões, sacanas e filhos da puta com que fomos bombardeados, por dois ou três estábulos feitos ‘casas de comida’, e por algumas escalas técnicas para repor líquidos.
Par hasard, também, passámos frente à esquadra da polícia. Um edifício salazaroso, com um adiantado modernista, tipo marquise ao contrário, jardim de Inverno ou gazebo gradeado.
Na dita antecâmara, iluminada, transparente para o exterior, uma valerosa agente da polícia democrática de Alberto e António Costa vagueava pelo teclado de um laptop. Alguns de nós, não vou identificar, acharam que seria interessante chegar à fala com a mulher fardada. Nunca se sabe…e nas polícias democráticas é um par ou ímpar, um cara ou coroa.
“Sua puta, sua grande puta”, foi a fórmula encontrada para quebrar o gelo. Os nossos sagazes leitores já estão a saborear o que se seguiu…mas estão enganados.
A nossa agente, permitam que a refira deste modo, levantou os olhos do écran, onde se atropelavam vários sites de organizações de direitos humanos, e respondeu ao charlot que emergia do interior da esquadra de chanfalho estalinista na mão…”deixe-os lá, Lopes, são uns velhinhos… e já vão cá com uma carroça…que não chegam ao asilo”.

(continua)

JSP

5 comentários:

Anónimo disse...

Isto é divino e resgasta o prestígio do Blogue. Qualidade superior da factura epistemológica e narrativa de alta qualidade. Avanti FAR

Anónimo disse...

Queira dizer, claro. resgata. É o divino Bordeuax, a estas horas. FAR

Táxi Pluvioso disse...

Custa-me a crer que a polícia tenha perdido uma oportunidade de molhar o cassetete. Ai! Não me canso de viver em democracia. Pelos vistos, o suspiro será o único ai que temos direito depois de atingida a idade do Adamastor.
Exigimos um disco do Mad Dog para ser pirateado na Internet!

Anónimo disse...

Excelente estilo! Parabéns. Um exemplo que deve ser seguido no universo blogueiro. O autor escreve muito melhor do que o Doutor Pacheco Pereira, mais o Prado Coelho reunidos.

zemari@ disse...

Gloria, In Excelsius, malta!!!

Mad Dog, já tenho saudades das tuas actuações e nunca (ou)vi nenhuma!

Partiram a forma de que foi moldado o delegado da Suécia e por isso é exemplar único e irrepetível.

Tal como acontece com os demais.

Por exemplo, onde é que há outro Landru, O Imutável, “Príncipe da Cidade”?

Ou um Nino, que já casou (de casamento) umas 4 ou 5 vezes (duas com milionárias louras, duas com negras de carapinha que o chularam (?!) e a mais recente desconheço (morena de cabelo loiro, remediada?!)

JSP, proponho que sejas nomeado Cronista-Mor deste Reino de Marabus.


Quanto à cívica, pergunto-lho: “Velho, Velho, mas veja lá se quer que lhe desfrise os pintelhos?!”