terça-feira, 24 de abril de 2007

Morreu Boris Ieltsin: Putin tem as mãos despóticas ainda mais livres


O primeiro presidente eleito democraticamente na Rússia morreu ontem. Os comentadores encartados temem que Putin possa ultimar a sua cruzada autoritária agora. Ficou com as mãos livres. Ieltsin ainda podia telefonar para a Casa Branca ou Downing Street a fazer queixas do sucessor que entronizou, agora esss recurso acabou. Neste texto hagiográfico, Irina de Chikoff e Laure Mandeville, publicado no Figaro, clicar aqui, postula um retrato nuancée e desigual da carreira política do velho engenheiro agrónomo sucessivamente recuperado por Brejnev e Gorbatchev.

Foi em 1985 que Gorby o nomeou para dirigir o comité da Perestroika na capital russa, onde ele denuncia, de forma crescente e admirável, todo o tipo de corrupção dos altos quadros do partido comunista moribundo. Depois de uma curta passagem votado ao ostracismo pelo PCUS, Ieltsin arranca de novo em 1990 com os poderes que lhe confere o papel de presidente do Parlamento, opondo-se aos velhos bolcheviques que tentaram um putch militar para destituir o dueto, tão incontroverso e deferente, simbolizado por Boris e Gorby. Afastou o seu velho rival Gorbatchev e ligou-se de alma e coração aos reformistas liberais, que o seu antecessor tinha incorporado no processo de democratização Glasnost/ Perestroika.

São dessa época os tenores do neo-capitalismo selvagem russo, Anatoli Tchoubais e Boris Berezovski. O ritmo apocalíptico que as concessões/privatizações selvagens atingiu atingiu, de pleno e frontal , o frágil equilibrio de poderes e a vida económica russa. Boris acaba por ser afastado paulatinamente e os tecnocratas aliam-se com os novos oficiais do antigo KGB para salvarem o " sistema " , que culmina com a eleição em finais de 1999 de Vladimir Putin para o cargo de Ieltsin por decreto, o que despoleta uma via sacra de atentados crescentes contra os princípios mínimos de democracia política que o fim da URSS tinha visto aparecer.


FAR

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