segunda-feira, 30 de abril de 2007

Digressão interna (III)

Ainda faltava uma meia dúzia de horas até ao concerto…!
Fosse porque a fome, leia-se, sede, do tipo bíblico, começava a apertar, que houvesse a agenda do Encontro Mundial de Viggis para despachar, fosse porque a boa prudência exigia que nos puséssemos a recato de uma subversão na esquadra, decidimos esgaçar o passo rumo ao “Moutinho”, embora com a promessa de voltar, rebentar as fuças ao bófia do chanfalho, o Lopes, e arrancar a farda à nossa agente da PSP- fazendo dela uma mulher…civil. Mais a habitual Intifada de insultos. Estes gajos não crescem…
E foi assim que desaguámos no estábulo da nossa sorte, recebidos, confesso, com meio sobrolho do Moutinho e duas ou três risadinhas multiculturais da senhora de Moutinho. Curioso… não é a primeira vez que isto acontece. Estranharão a pala negra do Mad Dog? Sentir-se-ão ameaçados pela bomba de asma do Clarence?
Seja como for, o degelo foi instantâneo. “Olhe, enquanto a gente escolhe, traga-nos meia dúzia de garrafas do melhor alentejano da casa e tomem providências para que não nos falte vinho; vire um pouco a televisão para a nossa mesa e quando começar o Portugal/Bélgica aumente o som…que a gente vê mal…de tanto forçar a vista cansada ficámos com os olhos vermelhos”. Era apenas o princípio de uma grande amizade; à segunda meia dúzia já tratávamos o Moutinho por ó cabrão e o Luís P. desafiava a patronne a tirar a camisola.
Nos intervalos, como se disse, foi sendo despachada a agenda Viggi e deram-se os últimos retoques na playlist do Mad Dog. Por entre telefonemas aos Santeros que jantavam algures no deserto vermelho.
A agenda foi, pois, sendo aviada nos espaços que sobravam dos “viva Portugal e o Cristiano é o melhor do Mundo” e alguns apontamentos eruditos sobre a Bélgica e os Belgas- “é o país dos dois estrumes e de uma bosta singular (Bruxelas), Portas nasceu lá (Bruxelas), são todos paneleiros, menos o Brel, o Jean-Marie Pfaff e o Preudhomme, e o maquinista é o rei Balduíno, na avenue Louise até os cães são rabetas, os flamengos aliviam-se nas vacas, a Yourcenar fugiu, Liége tem mais idiotas por m2 do que Carrazeda de Ansiães.
Entre os vários pontos abordados, desequilibradamente, sublinhe-se a escolha de Francis Obikwelu para ‘melhor português de sempre’- um gajo que não é português e quer sê-lo é sem dúvida o melhor de todos nós; Marques Mendes, com a licença de Wag the Dog, que por sua vez deveria pedir licença a Vargas Llosa, é um infiltrado albanês com objectivos sinistros- subtrair-nos, substituindo-nos por albaneses de metro e meio, e declarar o estado de Nova Tirana. Diz que, Mendes quer transformar o Palácio de Belém numa mesquita, interditar o álcool, proibir o futebol e o entretenimento em geral. Os albaneses de Nova Tirana só poderão alegrar-se no Karting e nos Matraquilhos, beber laranjada e tocar ao bicho.
Houve lugar, também, para um momento de Cardiologia, a cargo do Luís P., um momento de politicamente correcto- mudar a designação do pau preto e da peste negra-, falou-se do cogito ergo sum do Estado (protejo, logo obrigo) e foi novamente reiterada a expulsão de Gomes da Silva. Landru, muito diplomaticamente, não se manifestou, mas foi encomendando o avental, as divisas, o báculo e a farda de gala Viggi. Brindou-se a um longo consulado do novo secretário-geral.
O jantar/comício estava no fim. Ainda deu para mais uma meia dúzia de tintos e para cantar o hino Viggi na sua dupla manifestação Zen: “A Negra tava mamando” e “Minhas Botas Velhas Cardadas”. O casal Moutinho bateu palmas e implorou “voltem, voltem mais vezes; mas avisem com um ano de antecedência”.
Refez-se a formatura no exterior, alinharam-se tempos, e, tequilla propelled, lá fomos a todo o vapor para o “El Mareado”, o palco que haveria de receber a velocidade dos Santeros e a massa do Mad Dog.

(continua)

JSP

3 comentários:

zemari@ disse...

“Ai que prazer
Ter isto para ler
[…]
O mais que isto
Só Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...”

Glosa do poema de Fernando Pessoa “Ai que prazer / Não cumprir um dever, […]”

Anónimo disse...

JSP continua no seu melhor.Não percebo é o que dá para acamparem oportunistas mal-cheirosos junto a uma mensagem magistral, divina, derrotante( já bebi umas centenas do Conde de Villares...).Libérrimo, com uma ironia mordaz e superlativa, JSP vai ser um sério candidato ao Nobel do Blogue(s) deste corrente ano. Acabp de ver na Sic-Notícias o sorrizo leonino do JP Pereiro lado-a-lado do meu amigo B-Henri Levi na casa do Marquês de Fronteira,a Monsanto. FAR

Anónimo disse...

Queria dizer o incontrolável JP.Pereira. Claro. Far