quarta-feira, 3 de outubro de 2007

PSD (3)

A esmagadora maioria das análises sobre a eleição de Luis Filipe Menezes para presidente do PSD cai, na minha opinião, num dos mais típicos erros de análise que a Opinião portuguesa habitualmente produz (entenda-se neste conceito de "Opinião portuguesa", se for possivel, tanto as exageradamente badaladas "intelectualidades" - e só no círculo da Política - como, e muito mais relevante, o "senso comum", um conceito muito mais importante, mas adiante que isto é apenas um post). E este erro é o da incapacidade de auto-análise. Ou, dito de outra forma, ser quase impossivel o afastamento de nós próprios, de modo a que se percebam em nós as possibilidades de futuro.
Ou seja, e traduzindo para míudos, quem está convencido que o passado de Luis Filipe Menezes será relevante para os seus resultados futuros, não compreende uma das mais essenciais determinações da "alma portuguesa", que é, justamente, não ligar pevas ao passado. Uma característica dos povos com uma deficiente noção auto-identificante.
Há que abrir aqui um parêntesis: considero Menezes um homem inteligente; um "homo politicus", ou seja, um "populista", nesse mesmo sentido que é entendido há dois mil e quinhentos anos, desde Péricles. Por isso, e por vivermos num país em que a "onda", o "projecto", o "carisma" se sobrepõem a qualquer memória do passado, mesmo que apenas medianamente longínqua, é muitíssimo mais perigoso que Marques Mendes. E, mais do que isso, e mais importante que qualquer outra coisa, os momentos em que se inscrevem os territórios das rupturas são voláteis, ou seja, vogam ao sabor da oportunidade.
Dito isto, quer-me parecer que a eleição de Menezes é uma má e uma boa notícia para a Esquerda: uma má, porque aposto que será um adversário mil vezes superior a Marques Mendes (e aposto a sério - não dou nada pelas pseudo-análises que o fazem derrotado à partida, elas caem, como disse, num dos mais típicos erros de análise que a Opinião portuguesa habitualemte produz). Uma boa, porque as ideias à direita obrigam a esquerda acomodada, pançuda e interesseira, a ter um vislumbre daquilo que era antes de o ser, nem que seja apenas para poder sobreviver no jogo.

4 comentários:

Anónimo disse...

LF Menezes nao aprendeu nada com o seu mentor, Fernando Nogueira, ex-vice PM de Cavaco Silva. Andou a contratar " negros" para publicar livros;e, subitamente, desde que foi eleito, assumiu aquela pose melíflua e medíocre própria dos políticos péssimos.FAR

ana cristina leonardo disse...

Bom FAR, será verdade. Mas ele sempre é um bocadinho mais alto do que o Mendes. Qual dos dois dançará melhor?

Gustavo M. disse...

O LFM é sobretudo uma boa notícia para o Governo.
Se Marques Mendes era bom o LFM é melhor. Porquê?
Porque duplica a falta de credibilidade política do PSD, no mínimo! Junta ao marasmo do "ganda nóia", o tal populismo de que falas, com esse terá de enfrentar o do governo... eh!eh!eh!
Com o novo líder, o principal partido da oposição fica vazio de grandes figuras, fala-se do Santana Lopes para chefe da bancada. Imagine-se!!!
E assim duplica a miséria deixada pelo Marques Mendes, que aliás, está ligeiramente abaixo da média (em altura) (pensei escrever "no tamanho" mas o português é traiçoeiro) dos governantes portugueses, a julgar por dois que vi pessoalmente... e eu sou baixo.

Anónimo disse...

Eu estou solidário(...) com as apreensoes formuladas por MR Sousa( RTP1), JPPereira(Sic,Blogue), sobre a piedosa piplosizacao do PSD dirigido pelo gang de Menezes. Tudo sobre a alcada e batuta do " sintrense " gestor das mil&uma artes, Angelo Correia, que ainda há poco foi a Moscovoo na comitiva de Sócrates. Ou será que Sócrates já os tem no " papinho". Pobre Várzea de Sintra agora " manipulada" pelos amigos dos construtores civis e managers ultra-rápidos...FAR