quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Leituras de Outono. Diplomacia, Doce e Amarga (2)

“(...)
Um belo dia desembarcou em Alexandria um major do exército britânico, veterano da Índia, uma figura marcial e imponente, com bastos bigodes ruivos, que foi logo acostado por um jovem egípcio oferecendo-lhe os seus serviços. O major procurou enxotar o rapaz, mas este era insistente:
-- Eu estou ao seu serviço. O senhor certamente vai gostar...
O major, irritado, gritou-lhe:
-- Deixe-me em paz! Não me incomode!
Mas o garoto persistiu:
-- Eu sei muitas coisas. Todos dizem que sou muito bom. O senhor verá...
O major, já fora de si gritou-lhe:
-- Não me incomode já lhe disse!
O garoto, porém, não desistia e tornou:
-- Se vier comigo verá que não se arrependerá...
Nessa altura, o major ao rubro, explodiu. Estacou e, em tom enérgico e decisivo, disse para o jovem inoportuno:
-- Já lhe disse e repeti para me deixar em paz! Mas se você persistir em me incomodar, vou ao cônsul-geral britânico! (If you insist, I am going to the British Consul General!)
O rapaz parou também, mirou o major da cabeça aos pés, e com um pequeno sorriso malicioso, disse:
--Ok, Ok! O senhor pode ir ao cônsul-geral britânico. Ele é muito limpinho, mas é um pouco carote! (He is very clean but rather expensive indeed!)”

José Calvet de Magalhães, registando uma história contada, em 1957, pelo sueco Gunnar Myrdal.

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