Olá!
O mês de Maio acabou e com ele devem também acabar os artigos, palestras, análises, debates, livros, ensaios, documentários e testemunhos sobre o Maio 68. Tudo isso quanto a mim só demonstra que o maralhal que nessa época se dizia e julgava revolucionário é hoje o maralhal que domina os centros de decisão cultural – jornais, rádio, televisão, cinema. Tenho a dizer que não vejo nada de mal em que esta nova classe cultural dominante se amime de vez quando com um banho de nostalgia. O que é certo é que, caso contrário, o “Maio 68” não teria a importância que se lhe dá, principalmente tendo em conta que quando se fala em “Maio 68” se refere um período de poucas semanas em Paris e não um ano que teve também abalos noutras partes do mundo, particularmente nos países “socialistas”.
Maio de 1968 foi uma francezise, 1968 (sem o Maio) foi (talvez) importante e, em alguns casos, marcado pelo assassínio de figuras importantes (Martin Luther King e Robert Kennedy nos Estados Unidos) que resultou em actos de violência que marcaram esse ano.
Em Paris o Maio acabou como começou: com o maralhal a regressar às universidades e os trabalhadores às fábricas, trabalhadores esses (apresso-me a dizer) que pouca ou nenhuma solidariedade prática demonstraram com os estudantes e intelectuais. (Não me posso esquecer que em 1972, a trabalhar numa fábrica na Dinamarca, um ‘proleta” local me disse que em 1968 tinha ficado irritado com a estudantada “desorganizada e irresponsável”. Ainda na minha ingenuidade socialista tomei nota para me disciplinar. De imediato cortei o cabelo o que levou o tal proleta a dizer-me no dia seguinte que eu não devia ter cortado o cabelo porque “as gajas gostam de gajos com cabelo preto comprido”).
Mas voltando a 1968, parece-me que esse ano foi um tanto ou quanto esquizofrénico. Ao fim e ao cabo, e para citar creio que Milan Kundera, Maio de 68 foi em Paris uma acontecimento de “lirismo revolucionário” mas nesse mesmo ano deu-se a “Primavera de Praga” que foi “uma explosão de cepticismo pós-revolucionário”. É preciso não esquecer foi também em 68 que Fidel Castro – vestido de verde oliva à revolucionário – deu o seu aval à invasão da Checoslováquia, pondo assim fim à fantasia de uma terceira via “revolucionária” aparte dos exemplos soviético e maoísta.
O que representa 1968? Talvez, portanto, várias vertentes. Uma delas o lirismo perigoso daqueles que ainda acreditavam (acreditam) na revolução messiânica totalitária marxista -leninista e que acabaram nas franjas do Bader Meinhof, Brigadas Vermelhas, Exército Vermelho, etc., ou mais recentemente a apoiar o regime fascista/assassino de Saddam Hussein e o “sempre em pé” totalitário Fidel Castro, senão mesmo os Taliban na luta contra o “imperialismo”.
Alguns desses foram para o cemitério, outros para a cadeia, outros para o caixote do lixo da história e outros estão ainda na longa marcha para esse destino. Outra vertente será a que olha para 1968 (Paris, Checoslováquia, Portugal) e vê os acontecimentos desse ano não só um acto de revolta contra certos parâmetros da sociedade ocidental mas também (e talvez mais importante) como o princípio do fim do socialismo de bandeira vermelha, exemplificado no que se passou na Checoslováquia, nos primeiros sinais de revolta na Polónia e nas posições de Fidel Castro. Sintomaticamente, Che Guevara tinha morrido em 1967, vítima das suas próprias fantasias totalitárias de uma terceira via social-fascista, atraiçoado pelo campesinato boliviano que não alinhou nessas fantasias. Fidel mostrou ser mais realista quanto ao exercício do poder totalitário. 1968 em Paris em Maio foi talvez um episódio mais vislumbrante das eternas discussões filosóficas francesas mas foi também e acima de tudo teatro de rua com bons pecos: “as paredes têm ouvidos, os teus ouvidos têm paredes”, “sous les pavés, la plage”, “cours camarade le vieu monde est derriere toi”, "numa sociedade que aboliu a aventura a única aventura possível é abolir a sociedade”, “ quando a assembleia nacional se transforma num teatro, todos os teatros devem-se transformar em assembleias nacionais”.
No ocidente, incluindo a França, 1968 – enquanto movimento revolucionário – pouco impacto histórico teve senão paradoxalmente aquele de fortalecer o individualismo e de tornar os ditos revolucionários em – como diria Lenine – “idiotas úteis”, só que neste caso ao serviço do individualismo, uma das condições essenciais do capitalismo. O irónico será com efeito que se seguir a interpretação antitotalitária dos acontecimentos de 1968 , eles marcaram não o fim do sistema democrático ocidental (que pelo contrário se fortaleceu, cresceu e forneceu prosperidade e inovação), mas sim o triunfo do individualismo e o princípio do fim do colectivismo e da sua ideologia, não só no ocidente como também nos países “socialistas”.
A pergunta a fazer é talvez esta: que “soixante-huitard” és tu? Um/uma que segue os “diktats” dos comités partidários e/ou das ideias filosóficas “du jour” ou um/uma que segue o graffiti que afirmava: “não me libertem; eu encarrego-me disso”?
Abraços
Da capital do Império
Jota Esse Erre
15 comentários:
Caro JSR: O Blogue( o seu onde escreve) publicou, com longa antecedência textos plenos de perspectivas sobre Maio 68. A grande ideia é a de que, apòs Maio 68, fazer política, aprender e escrever Literatura e Filosofia, Música ou Pintura, só podem ser realizados de Outra Maneira.
Isto é, Maio 68 representa um corte no imaginário da Luta de Classes, da amplitude do realizado pela Comuna de Paris ou pela Grande Revolução Cultural Chinesa...Foi Maio 68 que abriu a grande crise no Marxismo Soviético e multiplicou os processos de Descolonização na África, Ásia e Oceânia.
Cuba e Che Guevara, mesmo que se goste muito do revolucionarismo das Caraíbas,nunca conseguiu ultrapassar o estigma do voluntarismo das élites face aos imperativos do ABC da Liberdade que subentende e requer qualquer processo de Libertação Humana. FAR
Trés bien JSR et FAR ! Bravo !
P.S.- FAR, começo a gostar das suas maiúsculas, "Outra Maneira", etc. :-), mas ainda estou divido quanto ás causas, :-)
vou roubar para a pastelaria
Sinalizo às 06h54 um anónimo amigo do FAR.
Informo que se trata do Góis, a criatura do Nem Guerra nem Paz, aquele jovem de olhar suburbano e longos cabelos a precisarem de fronline
Foi Maio 68 que abriu a grande crise no Marxismo Soviético
Oh FAR, a crise do Marxismo Soviético deveu-se mas foi aquele presidente norte-americano que tinha a mania que era cowboy
Caro JSR: O Blogue( o seu onde escreve) publicou, com longa antecedência textos plenos de perspectivas sobre Maio 68.
Caro FAR: Uma redacção do JSR vale mais do que todos os teus textos plenos... de Bullshit (sem ofensa, merda de boi)
Só quero dizer que esse tal Góis nunca pertenceu aos Anónimos Unidos Jamais Serão Vencidos.
Não atingia, apesar da Dalila não lhe ter cortado o cabelo, o QI mínimo exigido para se ser militante do nosso movimento.
Não é que eu seja bufo, mas já agora informo que o Tárique também não...
O BLOGUE ESTA A SER COBARDEMENTE INFECTADO POR ENERGÙMENOS SEM EIRA NEM BEIRA; SEM DIGNIDADE DE ESPÉCIE ALGUMA: JÁ FIZEMOS A DETALHADA ANÁLISE CRÌTICA A ESTE MASSACRE HEDIONDO QUE LEMBRA OS PROGROMS PERPETRADOS PELOS ASSASSINOS MANIPULADOS POR HITLER E MUSSOLINI; FRANCO E SALAZAR. FAR
Calma FAR. Os cães ladram e caravana passa. A vida são dois dias!
JÁ FIZEMOS A DETALHADA ANÁLISE CRÌTICA A ESTE MASSACRE HEDIONDO
Os «anónimos unidos jamais serão vencidos» tremem
DETALHADA ANÁLISE em linguagem estalinista significa, no mínimo, um mês de férias na Sibéria...
Quanto ao resto. FAR: get a life e continua a divertir-nos
Um abraço!
Então, Góis, não dizes nada?!
E tu, Tarique, déb, caladinho?
Quem é que se mete numa destas hediondas e ultra-fascistas aventuras de massacre ANÒNIMO E COBARDE COMO ESTES ANÒNIMOS? QUEM? SÒ QUEM ESTÀ DESESPERADO E NUNCA PERCEBEU NADA DE NADA.
Toda a gente é bem vinda. Eu sempre repeti: façam melhor, mostrem -me melhores ideias e argumentações. Critiquem e digam o que está mal ou imperfeito. Foi sempre a minha postura CLARA E TRANSPARENTE, SEM ME REFUGIAR NO SILÊNCIO DO DESLEIXO, DA INCÙRIA E DA FALSA AMIZADE!OU DO FAZ DE CONTA QUE JÀ SEI,OU SABIA, OU SOUBE...
ESTA ONDA DE MASSACRE HEDIONDA, REPULSIVA, FASCISTA E IGNÓBIL - GERADA NOS SUBTERRÂNEOS DA MAIS VIL DAS MÁ CONSCIÊNCIAS E INVEJA- SÓ PODE SER DELINEADA POR UM SENHOR QUE TEM O INAUDITO DESCARAMENTO DE ASSINAR J. GUITAR E SE ARRASTA NUMA ESTRADA POEIRENTA... QUEM SE ASSOCIA A TAL ENERGÚMENO E LHE DÁ COBERTURA É IGUAL A ELE, DA SUA MISERÀVEL ESTATURA MORAL E INTELECTUAL.
FAR
O SR J.GUITAR99 PUBLICOU UM TEXTO ÀS 2 DA MANHA SOBRE A VITÒRIA DA MANUELA: ESTÀ MAIS DO QUE PROVADA A HEDIONDA OFENSIVA DE IGNOBIL DIMENSAO HITLERO_MUSSOLINESCA SEM REMISSAO. FAR ( duas horas mais tarde)
Caro FAR. O senhor, que
demonstra uma certa cultura,
não devia meter-se em quesílias tão baixas. Como
é que sabe que vem tudo da
tal estrada e que quem por
ela passa é igual ao seu
construtor? Um conselho:
siga o seu caminho e deixe
que os cães ladrem. Eles
hão-de cansar-se. Abraço.
PP.
O Johnny Guitar, pseudónimo de Sterling Hayden?
Olha o malandro!
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