domingo, 16 de maio de 2010

anaCrónica 20

Papadofila/ ludicasta

O papa semeia semeia semeia e nada
O crente vai mais casto atrás da carne ou da uva
Na banda larga e mesmo na vizinhança
Cometer com outra gana o que lhe proibiram em coro
E os padres com tanto rapazinho de pobreza exposta
À castidade dedicam santa aspirina remédio santo
Na busca da disfunção eréctil que os desatormente
Pois não há idade para pertencer aos Céus
E só se pertence sem desejos a eles
Dominada a besta e entregues ao breviário
Este entre mãos para tê-las ocupadas
Sem sucumbir ao entre pernas teodolito
Medidor de fronteiras e odores
E desaforado vertiginoso cobremaníaco

E porque não a excisão
Da gaita pois que o berbigão é delas
E não dos ordenáveis proprietários de castos pirilaus?

O papa semeia semeia semeia
E lá ordenam senhoras os anglicanos
A poucos metros de São Pedro
Praça da sua janela global
- Se há de oportunidade é a dele em poliglotismos alemanizados
Ritual mais que ateu pois apenas ecrã e microfone
Nem altar nem tecto sistino nem nada
Só plano americano e primeiro também e claro
Mais que água benta a mineral -

Intérpretes pois as senhoras
Do velho e do novo testamentos
O que só no masculino está prescrito
Pois só pelo filtro da cinzenta massa
Macha a palavra pode ser exegetada
Como deve ser

O papa semeia semeia e nada
O povoléu enche a praça
Curte a terapia em catarse concertante
E depois regressa ao pecado
Todas e cada um o seu
A mulher do parceiro certamente
Pois é mais picante que a própria
A masturbação penitente
No genuflexório pois
Para o mais novo ordenança ainda
Na presença dos mármores
E dos arrependidos
Das paredes pendurados
E mesmo os mais devotos
Tudo devem ao Tartufo
Pois o diabo está no neurónio instalado
Como uma carraça tresmalhada
Que o desejo não pede para entrar
Já lá anda

Ele há outros cometimentos
Que assinalam que o bicho mano
Só mano é na solto-manidade total
Sem trela nem rédea
Assim à moda do natural
Mas tal receita não tem evangelho que a prescreva
Nem bula que a torne medida
Tragédia da contradição
Que só muita contrição atenua
Sem garantia pois
Atenua atenua atenua

O papa semeia semeia
E as meninas vão com as meninas
E os rapazes com os rapazes
Já de Safo a coisa vem
E sabe-se que o Sócrates o Alcibíades papava
Ou era papado pelo infante discípulo
Belo mas não sábio
Daí vem o Papado como período
Papado durante o período
O período para a ordem masculina casta da coisa
É o equivalente do período
Para a ordem feminina da coisa
Essa fronteira que o papa re-semeia
Constantemente
Para salvar o mundo claro
Da guerra civil dos sexos
Pois se sangram é por alguma razão
Que eles apenas sangram por trás e quando
As almorróidas vindas da especiaria assassina visitam
Sem passaporte as partes merdoprodutoras
Portanto este papado é o papado do período do teólogo
Que mais Aristóteles das metafísicas é Rástzingaro
Para as impor assim duro às mais que físicas
As verdadeiras metas espirituais
Pura teoria e pura abstracção descorporificada
Baseada na pura ideia e transparência
A que sobrevoa por falta de gravidade que a persiga
Sem base material que a figure
Pois o sangue do senhor é de facto vinho
E este vem da inocência da uva
Sem consciência
Fruta é
E nada é
Como a outra
A maçã
Feita com o demóino
E pura traição avermelhada
O papa semeia semeia
E o berlusconho colhe da aura
Os ardores da erecção amiga
Nas páginas nacionais de referência
Para gáudio colectivo e memória de Nero exaltada
Em busca das chamas infernais romanas que tudo redimam

Pelos paparazis colhida a gaita ex ministerial de leste
No foco de uma teleobjectiva
Prova que a Europa vai de vento em popa
E que não há melhor reforma que a dos ex mandantes
Pois melhor que biagra é sem ele erigir a coisa aos céus
Por efeito da pura natureza das coisas contracenando

Pois agora que me refaço
Das dores mediáticas que tive
Quase traumatizantes
Dedico ao senhor dos Prada
Este poemO de alento
Com finalidade didáctica

Desejo e oro com ele
Para que a castidade
A dívida púbica resolva
E comova os especuladores
E suas agências ratzingas

É tudo uma questão
de desErecção cósmica

FMR

1 comentário:

Sofia Aguarela disse...

«Meu Deus», isto está tão duramente pornoreligious escrito.